Misoprostol e Inserção do DIU em Mulheres Nulíparas: Facilitador ou Desnecessário?
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n3p321-329Palavras-chave:
Dispositivo intrauterino; Misoprostol; Mulheres nulíparas; Dilatação cervical.Resumo
Introdução: O dispositivo intrauterino (DIU) é um método contraceptivo altamente eficaz e amplamente recomendado por diretrizes internacionais. Entretanto, sua inserção em mulheres nulíparas pode ser associada a maior desconforto e dificuldades técnicas, especialmente relacionadas à resistência cervical. O misoprostol, um análogo sintético da prostaglandina E1, tem sido investigado como agente farmacológico capaz de promover amolecimento e dilatação cervical, potencialmente facilitando o procedimento. Contudo, a evidência científica disponível apresenta resultados divergentes quanto à sua eficácia e segurança nesse contexto. Objetivo: Avaliar a eficácia do misoprostol na facilitação da inserção do DIU em mulheres nulíparas. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa realizada na base de dados PubMed utilizando os descritores MeSH “intrauterine devices” e “misoprostol”. Inicialmente, foram identificadas 60 publicações. Após aplicação dos filtros clinical trial e randomized controlled trial, restaram 25 estudos. Desses, 15 foram selecionados após leitura dos títulos e 8 após análise dos resumos, sendo encaminhados para leitura na íntegra. Foram excluídos estudos duplicados e aqueles sem acesso ao texto completo. Resultados: O misoprostol apresentou resultados inconsistentes quanto à dilatação cervical e facilidade de inserção do DIU. Embora tenha reduzido a necessidade de dilatação cervical adicional em algumas participantes, não houve impacto significativo na percepção de facilidade do procedimento pelos profissionais. As taxas de sucesso na primeira tentativa de inserção foram semelhantes entre os grupos misoprostol e placebo (97,5% e 95%, respectivamente), sem diferença estatisticamente significativa. Além disso, o uso do medicamento não contribuiu para redução da dor durante o procedimento. Os principais eventos adversos associados ao misoprostol foram náuseas (29%) e cólicas (47%), com maior frequência em comparação ao placebo. Conclusão: O misoprostol demonstrou benefícios limitados na redução da necessidade de dilatação cervical adicional, porém não apresentou impacto significativo na facilidade de inserção do DIU ou na redução da dor durante o procedimento em mulheres nulíparas.
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Referências
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