Desigualdades raciais e etárias na mortalidade por hemorragia pós-parto no Brasil: estudo com dados do DATASUS
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n3p661-674Palavras-chave:
Hemorragia Pós-Parto, Mortalidade Materna, Raça/Cor, Idade Materna, Sistema Único de SaúdeResumo
Introdução: A hemorragia pós-parto (HPP) é uma das principais causas de mortalidade materna evitável e pode refletir desigualdades no acesso e na qualidade do cuidado obstétrico. Objetivo: Analisar desigualdades raciais e etárias na mortalidade hospitalar por HPP no Brasil, entre 2015 e 2024. Métodos: Estudo observacional, retrospectivo, com dados secundários do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS-DATASUS). Foram incluídas internações e óbitos hospitalares por HPP no período (2015-2024). As variáveis analisadas foram óbitos por raça/cor e óbitos e internações por faixa etária. Realizou-se análise descritiva (frequências absolutas e relativas) e cálculo da letalidade hospitalar por faixa etária (óbitos/internações ×100). Resultados: Identificaram-se 251 óbitos por HPP. A distribuição por raça/cor evidenciou maior frequência em mulheres pardas (122; 48,6%) e brancas (74; 29,5%), com 16 (6,4%) óbitos em mulheres pretas e 28 (11,2%) registros sem informação. Quanto ao perfil etário, as internações concentraram-se em 20-29 anos (11.673) e 30-39 anos (8.281), enquanto os óbitos foram mais frequentes em 30-39 anos (127; 51,0%), seguidos por 20-29 (65; 26,1%), 40-49 (36; 14,5%) e 15-19 (21; 8,4%). Observou-se gradiente crescente de letalidade com a idade: 0,57% (15-19); 0,56% (20-29); 1,53% (30-39); e 2,57% (40-49). Conclusão: Houve concentração de óbitos em mulheres pardas e aumento acentuado da letalidade a partir dos 30 anos, destacando a necessidade de estratégias assistenciais e de vigilância direcionadas a grupos mais vulneráveis, com foco na equidade na atenção obstétrica.
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