Mudança no padrão epidemiológico da dengue no Brasil no período pré, durante e pós-COVID-19: série temporal segmentada (2016–2025)
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n2p1101-1111Palavras-chave:
dengue, COVID-19, epidemiologia, mortalidade, series temporaisResumo
A dengue é uma arbovirose de grande relevância em saúde pública, com aumento expressivo de casos nas últimas décadas, especialmente em países tropicais. No Brasil, a dinâmica epidemiológica da doença pode ter sido influenciada pela pandemia de COVID-19, com possível impacto na notificação, transmissão e gravidade dos casos. O presente estudo teve como objetivo analisar a tendência temporal da incidência, hospitalização e mortalidade por dengue no Brasil no período de 2016 a 2025, comparando os cenários pré-pandemia, durante a pandemia e pós-pandemia de COVID-19. Trata-se de um estudo epidemiológico de série temporal, com dados secundários provenientes do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Foram analisados os casos prováveis de dengue, hospitalizações e óbitos por ano de notificação. O período foi dividido em três fases: pré-pandemia (2016–2019), pandemia (2020–2022) e pós-pandemia (2023–2025). Foram calculadas taxas de incidência e mortalidade por 100.000 habitantes, além da proporção de hospitalização e letalidade. Foram registrados 16.409.346 casos prováveis e 13.244 óbitos no período analisado. Observou-se redução dos casos durante os anos iniciais da pandemia, seguida de aumento progressivo, com pico histórico em 2024. A mortalidade e a letalidade apresentaram crescimento no período pós-pandemia, indicando maior impacto clínico recente da doença. Conclui-se que houve mudança no padrão epidemiológico da dengue no Brasil após a pandemia de COVID-19, caracterizada por aumento expressivo da incidência e elevação da mortalidade. Os achados reforçam a necessidade de fortalecimento das ações de vigilância e controle para mitigação de futuros surtos epidêmicos.
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