Abordagem clínica e terapêutica das cefaleias primárias: diagnóstico diferencial e manejo baseado em evidências
Uma revisão narrativa com enfoque nas implicações clínicas contemporâneas
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n2p885-897Palavras-chave:
Cefaleias primárias; Enxaqueca; Cefaleia em salvas; Diagnóstico diferencial; Manejo terapêuticoResumo
As cefaleias primárias constituem um grupo de distúrbios neurológicos altamente prevalentes e incapacitantes, destacando-se a enxaqueca, a cefaleia tensional e a cefaleia em salvas, as quais apresentam grande impacto funcional e socioeconômico. Apesar dos avanços no conhecimento, essas condições ainda são frequentemente sub diagnosticadas e tratadas de forma inadequada. Estudos recentes têm ampliado a compreensão da fisiopatologia dessas cefaleias, evidenciando a participação do sistema trigeminovascular, de mecanismos de neuroinflamação, da liberação de neuropeptídeos como o peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP) e de alterações centrais demonstradas por métodos de neuroimagem. O presente estudo tem como objetivo revisar a abordagem clínica e terapêutica das cefaleias primárias, com ênfase no diagnóstico diferencial entre seus principais subtipos e no manejo baseado em evidências científicas atuais. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, realizada a partir da análise de artigos científicos publicados em periódicos indexados de alto impacto, incluindo revisões sistemáticas, revisões narrativas e estudos relevantes sobre fisiopatologia, critérios diagnósticos e opções terapêuticas. Os resultados da literatura demonstram que o diagnóstico adequado depende de anamnese detalhada e aplicação criteriosa dos critérios clínicos, permitindo a exclusão de cefaleias secundárias. O manejo baseado em evidências, que inclui terapias farmacológicas tradicionais, terapias alvo como os anticorpos monoclonais anti-CGRP, estratégias de neuromodulação e medidas não farmacológicas, têm se mostrado eficazes na redução da frequência e intensidade das crises. Conclui-se que a integração entre conhecimento fisiopatológico e prática clínica é essencial para otimizar o diagnóstico diferencial e o tratamento individualizado das cefaleias primárias, contribuindo para melhora da qualidade de vida dos pacientes.
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