Perfil epidemiológico das internações por septicemia no Brasil no período de 2015 a 2025
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n2p541-558Palavras-chave:
Septicemia; Sepse; Hospitalização; Epidemiologia; Brasil.Resumo
Este estudo teve como objetivo analisar o perfil epidemiológico das internações por septicemia no Brasil, no período de 2015 a 2025. Trata-se de uma pesquisa retrospectiva, quantitativa e epidemiológica, baseada na análise de dados secundários provenientes do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), disponibilizados pelo DATASUS. Foram avaliadas variáveis como região geográfica, faixa etária, sexo e cor/raça. No período analisado, foram registradas 1.539.642 internações por septicemia, com maior concentração na Região Sudeste, seguida pelas regiões Nordeste e Sul. Observou-se predominância de internações em idosos, especialmente na população com 60 anos ou mais, que concentrou a maior parte dos registros, além de participação relevante de lactentes, evidenciando a vulnerabilidade dos extremos de idade. Verificou-se discreta predominância do sexo masculino (52,1%) e maior número de internações entre indivíduos pardos e brancos, embora tenha sido identificado percentual expressivo de registros com cor/raça não informada, o que limita análises mais aprofundadas sobre desigualdades raciais. A análise temporal demonstrou alterações importantes no padrão de internações a partir de 2020, período coincidente com a pandemia de COVID-19, sugerindo impacto tanto da sepse associada à infecção pelo SARS-CoV-2 quanto de mudanças na dinâmica dos serviços de saúde. Os resultados evidenciam a elevada carga assistencial associada à septicemia no Brasil e reforçam a necessidade de fortalecer estratégias de diagnóstico precoce, qualificação da atenção hospitalar, aprimoramento dos sistemas de informação em saúde e intensificação das ações de vigilância epidemiológica, com vistas à redução da morbimortalidade relacionada à sepse no âmbito do Sistema Único de Saúde.
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