Iniquidades Regionais na Cobertura Vacinal Infantil no Brasil: Análise Ecológica Multivariada com Enfoque Espacial e Socioeconômico

Autores

  • Adriane Loffler Moraes
  • Amanda Enzweiler
  • Ana Julia Ferreira Serafim
  • Bianca Santos Arruda
  • Carla kawany Lopes Souza
  • Denys Rodrigues Alão Santos
  • Maria Fernanda Aguiar Vieira
  • Nicolas Carlos Nunes Rondon
  • Pedro Henrique Souza de Albuquerque
  • Rafaela Vicente Garcia
  • Sarah Pasinato Amorim de Freitas
  • Thales Ignácio Colina de Oliveira

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n2p671-689

Palavras-chave:

Cobertura Vacinal, Iniquidade em Saúde, Determinantes Sociais da Saúde, Distribuição Espacial da População

Resumo

Introdução: A imunização infantil é atualmente um deafio no que tange aos olhares epidemiológicos de abrangência, sendo indentificados muitos fatores que corroboram para a má cobertura ou a perda de dados vacinais. Objetivo: Avaliar a evolução da cobertura vacinal infantil no Brasil entre 2018 e 2022 e analisar sua associação com indicadores socioeconômicos, macrossociais e padrões espaciais de desigualdade, considerando os impactos diferenciados da pandemia de COVID‑19. Método: Conduziu-se estudo ecológico e analítico com dados do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações e indicadores do IBGE referentes à população de 0 a 14 anos. A abordagem metodológica integrou análises estatísticas multivariadas, incluindo regressão linear múltipla e correlações de Spearman, com modelagem espacial por Unidade da Federação. A estratégia permitiu identificar clusters territoriais de vulnerabilidade e isolar determinantes sociais associados às oscilações de cobertura. Resultados: A análise de 432,7 milhões de doses revelou declínio acentuado entre 2019 e 2021, com recuperação apenas parcial em 2022. Identificou-se fragilidade crítica em vacinas de múltiplas doses (Rotavírus e Tetra) e disparidades regionais severas, consolidando o Norte e Nordeste como polos de vulnerabilidade. O Índice de Gini emergiu como o preditor mais robusto da cobertura vacinal, superando variáveis geográficas e de urbanização, evidenciando que a desigualdade de renda determina diretamente os níveis de acesso à imunização. Conclusões: Conclui-se que a sustentabilidade da imunização infantil depende do enfrentamento das desigualdades socioeconômicas, exigindo políticas públicas territorializadas, busca ativa e financiamento sensível às disparidades sociais para evitar a reemergência de doenças imunopreveníveis.

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Publicado

2026-02-12

Como Citar

Moraes, A. L., Enzweiler, A., Serafim, A. J. F., Arruda, B. S., Souza, C. kawany L., Santos, D. R. A., Vieira, M. F. A., Rondon, N. C. N., Albuquerque, P. H. S. de, Garcia, R. V., Freitas, S. P. A. de, & Oliveira, T. I. C. de. (2026). Iniquidades Regionais na Cobertura Vacinal Infantil no Brasil: Análise Ecológica Multivariada com Enfoque Espacial e Socioeconômico. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 8(2), 671–689. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n2p671-689