Distribuição Espacial e Demográfica dos Casos de Hanseníase em Mato Grosso (2015–2024): Uma Análise Epidemiológica a Partir dos Casos Notificados
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n2p114-123Palavras-chave:
Hanseníase, Epidemiologia, Vigilância em saúdeResumo
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que acomete principalmente pele e nervos periféricos. Apesar de ser tratável e curável, permanece como um importante problema de saúde pública em regiões endêmicas. Este estudo analisou o perfil epidemiológico da hanseníase no estado de Mato Grosso entre 2015 e 2024, utilizando dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). O objetivo foi descrever a distribuição dos casos por sexo, faixa etária e Regiões de Saúde, identificando padrões úteis para o planejamento de ações de vigilância. Foram analisados 45.463 casos registrados no período. A distribuição entre os sexos foi equilibrada, com discreto predomínio feminino (49,7% mulheres e 50,3% homens). A maior concentração de casos ocorreu entre indivíduos de 40 a 59 anos, representando cerca de 45,9% das notificações. A presença de casos em menores de 15 anos (4,2%) indica transmissão ativa recente e reforça a necessidade de intensificação da busca ativa e do acompanhamento de contatos.A análise regional mostrou maior número absoluto de casos nas Regiões de Saúde Teles Pires (22,0%) e Baixada Cuiabana (20,6%), áreas mais populosas e com maior mobilidade social. Essas regiões mantêm a transmissão ativa, provavelmente devido a fatores como desigualdades socioeconômicas, diagnóstico tardio e circulação contínua do bacilo. Regiões menos populosas apresentaram menor número de casos, embora não se descarte subnotificação.Os achados confirmam que Mato Grosso permanece como área hiperendêmica para hanseníase e que a doença apresenta distribuição heterogênea, influenciada por fatores sociais e demográficos. Reforça-se a necessidade de fortalecer a Atenção Primária, ampliar o diagnóstico precoce, melhorar a vigilância de contatos e implementar estratégias regionalizadas de enfrentamento, essenciais para reduzir a transmissão e prevenir incapacidades.
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Referências
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