Doença Trofoblástica Gestacional: Abordagem Clínica Atual, Critérios Diagnósticos e Estratégias Terapêuticas
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n1p1007-1020Palavras-chave:
Doença trofoblástica gestacional; mola hidatiforme; neoplasia trofoblástica gestacional; β-hCG; quimioterapia; ultrassonografiaResumo
Introdução: A Doença Trofoblástica Gestacional (DTG) compreende um grupo de condições relacionadas ao crescimento anômalo de células trofoblásticas após a concepção, incluindo molas hidatiformes e neoplasias trofoblásticas gestacionais (GTN), que variam de formas pré-malignas a malignas. A sua detecção precoce e manejo adequado são essenciais para reduzir morbidade e mortalidade em mulheres em idade reprodutiva, e têm sido aprimorados por avanços em diagnóstico e terapias oncológicas. Objetivo: Este artigo objetiva apresentar, de forma clara e fundamentada, os principais aspectos clínicos, os critérios diagnósticos adotados atualmente e as estratégias terapêuticas recomendadas para o manejo da DTG, com base em evidências de diretrizes clínicas reconhecidas e literatura médica atual. Metodologia: A abordagem foi construída a partir de revisão de diretrizes internacionais e nacionais, artigos científicos recentes e documentos de saúde pública que abordam epidemiologia, diagnóstico diferencial, estadiamento e tratamento da DTG, enfatizando recomendações consolidadas e consensos clínicos aplicáveis na prática médica. Discussão/Resultados: A apresentação clínica da DTG pode ser variável, frequentemente marcada por sangramento vaginal anormal, níveis excessivos de β-hCG e alterações ultrassonográficas que sugerem tecido trofoblástico anômalo. A ultrassonografia é a ferramenta de escolha para identificação inicial de molas hidatiformes e outras formas de DTG, enquanto a monitorização seriada de β-hCG é vital para avaliar regressão pós-evacuação uterina e detecção de GTN. A confirmação diagnóstica requer análise histopatológica do tecido evacuado. Os critérios diagnósticos e o estadiamento utilizam classificações padronizadas pela International Federation of Gynecology and Obstetrics (FIGO), que consideram níveis de β-hCG, extensão da doença e fatores prognósticos para estratificar o risco. Para GTN de baixo risco (escore FIGO <7), a quimioterapia com agente único (como metotrexato) é frequentemente eficaz; nos casos de alto risco (escala ≥7 ou estágio IV), regimes de quimioterapia multi-agente, como o protocolo EMA-CO, são recomendados. Em algumas situações, cirurgia ou radioterapia é indicada para controle local ou metástases específicas. O tratamento cirúrgico, incluindo curetagem por sucção uterina, é a primeira etapa terapêutica para remover o tecido trofoblástico anômalo em muitas molas hidatiformes, com preservação da fertilidade sendo considerada sempre que possível. Após o tratamento, o acompanhamento com medição de β-hCG deve ser contínuo até normalização e por um período adicional para detectar recidivas precocemente, associado a orientação contraceptiva durante este intervalo. Conclusão: A Doença Trofoblástica Gestacional exige uma abordagem clínica integrada que combine diagnóstico precoce, estratificação de risco com base em critérios estabelecidos e terapias adaptadas ao perfil de cada paciente. A ultrassonografia e a mensuração de β-hCG são pilares diagnósticos, enquanto o tratamento eficaz engloba desde intervenções cirúrgicas iniciais até quimioterapia dirigida conforme risco. O manejo em centros especializados e o seguimento estruturado melhoram significativamente os desfechos, permitindo altas taxas de cura e preservação da fertilidade quando desejada.
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