Doença Trofoblástica Gestacional: Abordagem Clínica Atual, Critérios Diagnósticos e Estratégias Terapêuticas

Autores

  • Sarah Karoline de Oliveira Matos Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto
  • Maria Clara Freitas Vinha Bank Setti Centro Universitário Max Planck
  • Renan Franco De Oliveira Guimarães Centro Universitário Max Planck
  • Beatriz latri Brunetti Peres Centro Universitário Max Planck
  • Elisa Mina Fernandes Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino
  • Giovanna Arissa Troleis Aoki Centro Universitário Ingá
  • Ana Luiza Senne Faculdade Santa Marcelina
  • Paola Elizandra Simões Gasparini Fundação Educacional Machado de Assis
  • Raiza Monielle de Lima Fernandes Faculdade de Enfermagem Nova Esperança
  • Gisele Santiago Bandeira Universidade Nove de Julho
  • Jeenny Silva de Oliveira Ribeiro Universidade do Sul de Santa Catarina
  • Samara Dayana Dal Magro Universidade Estadual do Oeste do Paraná
  • Yasmim dos Santos Amaral Universidade de Itaúna
  • Layza Marciano Cangussú Universidade de Itaúna

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n1p1007-1020

Palavras-chave:

Doença trofoblástica gestacional; mola hidatiforme; neoplasia trofoblástica gestacional; β-hCG; quimioterapia; ultrassonografia

Resumo

Introdução: A Doença Trofoblástica Gestacional (DTG) compreende um grupo de condições relacionadas ao crescimento anômalo de células trofoblásticas após a concepção, incluindo molas hidatiformes e neoplasias trofoblásticas gestacionais (GTN), que variam de formas pré-malignas a malignas. A sua detecção precoce e manejo adequado são essenciais para reduzir morbidade e mortalidade em mulheres em idade reprodutiva, e têm sido aprimorados por avanços em diagnóstico e terapias oncológicas. Objetivo: Este artigo objetiva apresentar, de forma clara e fundamentada, os principais aspectos clínicos, os critérios diagnósticos adotados atualmente e as estratégias terapêuticas recomendadas para o manejo da DTG, com base em evidências de diretrizes clínicas reconhecidas e literatura médica atual. Metodologia: A abordagem foi construída a partir de revisão de diretrizes internacionais e nacionais, artigos científicos recentes e documentos de saúde pública que abordam epidemiologia, diagnóstico diferencial, estadiamento e tratamento da DTG, enfatizando recomendações consolidadas e consensos clínicos aplicáveis na prática médica. Discussão/Resultados: A apresentação clínica da DTG pode ser variável, frequentemente marcada por sangramento vaginal anormal, níveis excessivos de β-hCG e alterações ultrassonográficas que sugerem tecido trofoblástico anômalo. A ultrassonografia é a ferramenta de escolha para identificação inicial de molas hidatiformes e outras formas de DTG, enquanto a monitorização seriada de β-hCG é vital para avaliar regressão pós-evacuação uterina e detecção de GTN. A confirmação diagnóstica requer análise histopatológica do tecido evacuado. Os critérios diagnósticos e o estadiamento utilizam classificações padronizadas pela International Federation of Gynecology and Obstetrics (FIGO), que consideram níveis de β-hCG, extensão da doença e fatores prognósticos para estratificar o risco. Para GTN de baixo risco (escore FIGO <7), a quimioterapia com agente único (como metotrexato) é frequentemente eficaz; nos casos de alto risco (escala ≥7 ou estágio IV), regimes de quimioterapia multi-agente, como o protocolo EMA-CO, são recomendados. Em algumas situações, cirurgia ou radioterapia é indicada para controle local ou metástases específicas. O tratamento cirúrgico, incluindo curetagem por sucção uterina, é a primeira etapa terapêutica para remover o tecido trofoblástico anômalo em muitas molas hidatiformes, com preservação da fertilidade sendo considerada sempre que possível. Após o tratamento, o acompanhamento com medição de β-hCG deve ser contínuo até normalização e por um período adicional para detectar recidivas precocemente, associado a orientação contraceptiva durante este intervalo. Conclusão: A Doença Trofoblástica Gestacional exige uma abordagem clínica integrada que combine diagnóstico precoce, estratificação de risco com base em critérios estabelecidos e terapias adaptadas ao perfil de cada paciente. A ultrassonografia e a mensuração de β-hCG são pilares diagnósticos, enquanto o tratamento eficaz engloba desde intervenções cirúrgicas iniciais até quimioterapia dirigida conforme risco. O manejo em centros especializados e o seguimento estruturado melhoram significativamente os desfechos, permitindo altas taxas de cura e preservação da fertilidade quando desejada. 

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Publicado

2026-01-31

Como Citar

de Oliveira Matos, S. K., Freitas Vinha Bank Setti, M. C., Franco De Oliveira Guimarães , R., latri Brunetti Peres, B., Mina Fernandes , E., Arissa Troleis Aoki, G., Senne, A. L., Simões Gasparini, P. E., de Lima Fernandes, R. M., Santiago Bandeira, G., de Oliveira Ribeiro, J. S., Dal Magro, S. D., dos Santos Amaral , Y., & Marciano Cangussú, L. (2026). Doença Trofoblástica Gestacional: Abordagem Clínica Atual, Critérios Diagnósticos e Estratégias Terapêuticas. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 8(1), 1007–1020. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n1p1007-1020