Fibrilação Atrial: Fisiopatologia, Manifestações Clínicas, Estratégias Diagnósticas e Abordagem Terapêutica Atual
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n1p759-772Palavras-chave:
Fibrilação atrial; Arritmias cardíacas; Anticoagulação; Ablação por cateter; Eletrocardiograma; Cardiologia clínicaResumo
Introdução: A fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais frequente na prática clínica, associada a aumento significativo de morbimortalidade, sobretudo por acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e declínio funcional. Sua prevalência cresce com o envelhecimento populacional e com a maior incidência de comorbidades cardiovasculares, como hipertensão arterial, doença arterial coronariana e valvopatias. Nas últimas décadas, avanços no entendimento da fisiopatologia, no diagnóstico e nas opções terapêuticas permitiram uma abordagem mais individualizada, alinhada às diretrizes internacionais e nacionais. Objetivo: Descrever os principais aspectos da fibrilação atrial, abordando sua fisiopatologia, manifestações clínicas, estratégias diagnósticas e as abordagens terapêuticas atualmente recomendadas pelas principais sociedades médicas. Metodologia: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, baseada em diretrizes e consensos recentes de sociedades de cardiologia de renome, incluindo publicações internacionais e brasileiras, além de estudos clínicos relevantes sobre fibrilação atrial. Foram priorizados documentos atualizados e amplamente utilizados na prática clínica, com foco em evidências consolidadas e aplicáveis ao manejo contemporâneo da FA. Discussão e Resultados: A fisiopatologia da FA envolve mecanismos complexos, como remodelamento elétrico e estrutural atrial, inflamação e fibrose, que favorecem a manutenção da arritmia. Clinicamente, a FA pode ser assintomática ou manifestar-se por palpitações, dispneia, fadiga, tontura ou intolerância ao esforço, sendo comum o diagnóstico incidental. O eletrocardiograma é o método diagnóstico fundamental, complementado por monitorização ambulatorial em casos intermitentes. A abordagem terapêutica atual baseia-se em três pilares: controle do risco tromboembólico, controle da frequência ou do ritmo cardíaco e manejo das comorbidades associadas. A anticoagulação oral, indicada conforme escores de risco, é essencial na prevenção de eventos embólicos. O controle da frequência é frequentemente suficiente para alívio sintomático, enquanto o controle do ritmo, por fármacos ou ablação por cateter, é reservado a pacientes selecionados, visando melhora da qualidade de vida e, em contextos específicos, prognóstico. Conclusão: A fibrilação atrial representa um desafio clínico relevante, exigindo abordagem abrangente e individualizada. O manejo adequado, fundamentado em diretrizes atualizadas e na estratificação de risco, é determinante para reduzir complicações, melhorar sintomas e otimizar desfechos clínicos, reforçando a importância do seguimento contínuo e do cuidado multidisciplinar.
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