Bloqueio sequencial do néfron na insuficiência cardíaca aguda: revisão das evidências clínicas e diretrizes
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n1p465-481Palavras-chave:
Insuficiência cardíaca aguda; Resistência diurética; Bloqueio sequencial do néfron.Resumo
A insuficiência cardíaca aguda (ICA) representa uma das principais causas de hospitalização e está frequentemente associada à resistência diurética, condição que limita a eficácia da furosemida isolada e se relaciona com piores desfechos clínicos. O bloqueio sequencial do néfron, estratégia que combina diuréticos de diferentes sítios de ação, como acetazolamida, tiazídicos (metolazona, clorotiazida) e antagonistas da aldosterona, surge como alternativa para superar esse fenômeno. O objetivo desta revisão é sintetizar as principais evidências clínicas e diretrizes disponíveis sobre o bloqueio sequencial do néfron em pacientes com ICA. Foi realizada busca nas bases PubMed, Scopus e Lilacs, entre agosto e outubro de 2025, selecionando ensaios clínicos randomizados, revisões sistemáticas, metanálises e diretrizes relevantes. Os resultados mostram que o estudo ADVOR (2022) demonstrou benefício da adição de acetazolamida ao diurético de alça na obtenção de descongestão mais rápida e eficaz, enquanto o 3T Trial (2020) evidenciou eficácia semelhante entre metolazona e clorotiazida como adjuvantes, reforçando a importância dessa estratégia em casos de resistência diurética. Metanálises recentes confirmam melhora na diurese e redução do tempo de internação, ainda que os efeitos sobre mortalidade e reinternação permaneçam incertos. Diretrizes internacionais, como AHA/ACC/HFSA 2022 e ESC 2023, já recomendam considerar o bloqueio sequencial em cenários selecionados. Conclui-se que o bloqueio sequencial do néfron é uma intervenção eficaz para promover descongestão em pacientes com ICA refratária ao diurético de alça, com evidências robustas em desfechos intermediários, embora ainda haja necessidade de estudos adicionais para esclarecer seu impacto em mortalidade e rehospitalização.
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