Ressecção total de maxila na mucormicose fulminante pós-COVID-19: protocolo cirúrgico emergencial - uma revisão da literatura

Autores

  • Jennifer Ribeiro de Sá Universidade Federal de Pernambuco
  • Ayanne Mirelly Ferreira da Silva UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
  • Ester Edilza Cavalcante Costa Lira UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
  • Iasmin Ferreira Dourado UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
  • Jhonny Carlos Alves Santos
  • José Rinaldo Santos de Oliveira UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
  • Maria Clara Ramos Câmara UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
  • Raí Douglas Cadête Alves UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
  • Maria Isabel Coutinho Barbosa UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
  • Martinho Dinoá Medeiros Junior

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n1p973-1006

Palavras-chave:

Palavras-chave: Mucormicose. Maxila. Cirurgia Oral.

Resumo

Introdução: A mucormicose é uma infecção fúngica invasiva, oportunista e fulminante, causada por fungos da ordem Mucorales, que tem apresentado aumento significativo em pacientes pós-COVID-19, principalmente em imunocomprometidos e diabéticos descompensados. A forma rinocerebral, com acometimento da maxila, pode demandar ressecção total da estrutura óssea para controle da infecção e prevenção de complicações sistêmicas graves. Objetivo: Este estudo teve como objetivo revisar protocolos cirúrgicos e abordagens terapêuticas para ressecção total da maxila em casos de mucormicose fulminante, enfatizando técnicas cirúrgicas, diagnóstico por imagem, terapias antifúngicas e estratégias de reabilitação. Metodologia: Realizou-se revisão integrativa da literatura nas bases PubMed, SciELO e BVS, com buscas usando descritores específicos: “mucormicosys”, “maxillectomy”, “COVID-19”, “rhino-orbital mucormicosys’’ e “antifungal therapy”. Foram incluídos artigos publicados entre 2020 e 2025, em inglês, selecionados conforme critérios de relevância clínica e científica. Resultados: Os achados indicam que a ressecção total da maxila, acompanhada de desbridamento agressivo até margens livres, associada à terapia antifúngica sistêmica com anfotericina B lipossomal ou posaconazol, é eficaz na contenção da infecção. O diagnóstico por tomografia computadorizada e ressonância magnética possibilita delimitação precisa do acometimento ósseo e tecidual. Protocolos cirúrgicos que incluem cortes congelados intraoperatórios contribuem para margens cirúrgicas otimizadas, minimizando recidivas. A reabilitação protética ou microcirúrgica tardia é fundamental para restauração funcional e estética. Conclusão: A ressecção total da maxila é procedimento decisivo no manejo de mucormicose fulminante, sobretudo em contexto pós-COVID-19. A associação de diagnóstico precoce, intervenção cirúrgica agressiva e terapia antifúngica maximiza taxas de sucesso, demandando abordagem multidisciplinar para reabilitação integral do paciente.

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Publicado

2026-01-31

Como Citar

Ribeiro de Sá, J., Ferreira da Silva, A. M., Cavalcante Costa Lira, E. E., Ferreira Dourado, I., Alves Santos, J. C., Santos de Oliveira, J. R., Ramos Câmara, M. C., Cadête Alves, R. D., Coutinho Barbosa, M. I., & Dinoá Medeiros Junior , M. (2026). Ressecção total de maxila na mucormicose fulminante pós-COVID-19: protocolo cirúrgico emergencial - uma revisão da literatura. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 8(1), 973–1006. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n1p973-1006