PLASTICIDADE SINÁPTICA EXCITATÓRIA PERSISTENTE NO CORNO DORSAL DA MEDULA ESPINHAL COMO BASE NEUROFISIOLÓGICA DA DOR CRÔNICA

Autores

  • Jorge Eberson de Oliveira Santana Faculdade Paraíso
  • Emanuel Levi Da Silva
  • Emanuel Vitor Ferreira dos Santos
  • Islandia Maria Rodrigues Silva
  • Iverton Rameri Carvalho Alencar
  • João Gabriel Pereira Luna
  • José Ferreira Lima Júnior
  • Lanna Louise Costa Campos Luz
  • Maria Alice Santos Nardini
  • Maria Gabriella Cavalcante de Lima
  • Maria Júlia Ribeiro Sales
  • Pedro Gustavo Tavares Souza

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n1p672-683

Palavras-chave:

Dor crônica, Sensibilização central, Plasticidade sináptica, Corno dorsal, Modulação descendente da dor

Resumo

Introdução: A dor crônica representa um importante problema de saúde pública e constitui uma condição clínica complexa, sustentada por mecanismos centrais que transcendem a nocicepção periférica. Evidências crescentes indicam que a plasticidade sináptica excitatória persistente no corno dorsal da medula espinhal desempenha papel central na amplificação e manutenção da dor, configurando um estado de sensibilização central associado à disfunção dos sistemas de modulação descendente. Objetivos: Analisar sistematicamente as evidências neurofisiológicas, moleculares e funcionais relacionadas à plasticidade sináptica excitatória persistente no corno dorsal da medula espinhal como base mecanística da dor crônica, integrando achados espinais, suprassegmentares e clínicos. Metodologia: Trata-se de uma revisão sistemática conduzida segundo as diretrizes PRISMA. Foram realizadas buscas nas bases de dados PubMed/MEDLINE, Scopus, SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde, contemplando artigos publicados nos últimos cinco anos, em inglês, português e espanhol. Foram incluídos estudos originais e revisões que abordassem mecanismos de sensibilização central, plasticidade sináptica espinal e modulação descendente da dor, com textos completos disponíveis. Estudos duplicados, literatura cinzenta e trabalhos não diretamente relacionados ao tema foram excluídos. Conclusão: As evidências analisadas demonstram que a dor crônica é sustentada por um processo integrado de reorganização neurofisiológica caracterizado por hiperexcitabilidade espinal persistente, dependente de mecanismos moleculares específicos e remodelamento microcircuital. A participação de redes suprassegmentares e a falha da modulação descendente amplificam e estabilizam esse estado, consolidando a dor como uma propriedade emergente de circuitos neurais reorganizados. Esses achados reforçam a necessidade de abordagens diagnósticas e terapêuticas que considerem diretamente os mecanismos centrais da dor crônica.

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Publicado

2026-01-23

Como Citar

de Oliveira Santana, J. E., Da Silva , E. L., Ferreira dos Santos , E. V., Rodrigues Silva , I. M., Carvalho Alencar , I. R., Pereira Luna , J. G., Lima Júnior , J. F., Costa Campos Luz , L. L., Santos Nardini , M. A., Cavalcante de Lima , M. G., Ribeiro Sales , M. J., & Tavares Souza , P. G. (2026). PLASTICIDADE SINÁPTICA EXCITATÓRIA PERSISTENTE NO CORNO DORSAL DA MEDULA ESPINHAL COMO BASE NEUROFISIOLÓGICA DA DOR CRÔNICA. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 8(1), 672–683. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n1p672-683