Eficácia comparativa de técnicas cirúrgicas no carcinoma basocelular: excisão convencional versus cirurgia de Mohs
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n1p922-934Palavras-chave:
Carcinoma BasocelularResumo
O Carcinoma Basocelular (CBC) é a neoplasia cutânea mais comum, e sua abordagem cirúrgica padrão diverge entre a Excisão Cirúrgica Convencional (ECC) e a Cirurgia Micrográfica de Mohs (CMM). O objetivo deste estudo foi comparar a eficácia oncológica, a preservação tecidual e a custo-efetividade da CMM e da ECC no manejo do CBC em adultos. Para isso, uma revisão sistemática foi conduzida de acordo com as diretrizes do protocolo PRISMA. Foram incluídos dez estudos elegíveis, prioritariamente ensaios clínicos randomizados e coortes prospectivas, que avaliaram CBCs faciais e de alto risco. O desfecho primário foi a recorrência local em cinco anos. O risco de viés foi avaliado pelas ferramentas RoB 2 e ROBINS-I, e a qualidade da evidência foi classificada pelo sistema GRADE. A CMM demonstrou superioridade oncológica significativa no manejo de CBCs de alto risco e recorrentes. As taxas de recorrência em cinco anos para CBC recorrente foram consistentemente menores com a CMM (2,4% a 3,9%) em comparação à ECC (12,1% a 13,5%), correspondendo a uma redução absoluta de risco aproximada de 9% a 10%. Além disso, a CMM proporcionou maior preservação tecidual, com redução média do defeito cirúrgico de 71,1 mm², refletindo em melhores resultados estéticos e funcionais. Embora a CMM apresente maior custo inicial, mostrou-se mais custo-efetiva no tratamento de CBCs recorrentes, com custo incremental estimado em €8.094 por recorrência evitada, justificando sua indicação nesses cenários. Conclui-se que a cirurgia micrográfica de Mohs é significativamente mais eficaz do que a excisão cirúrgica convencional na prevenção da recorrência local, configurando-se como o padrão-ouro para o tratamento do carcinoma basocelular de alto risco. Os achados reforçam a importância de uma abordagem terapêutica individualizada, reservando a CMM para situações em que a ECC apresenta risco inaceitável de recorrência ou morbidade, fornecendo evidências robustas para orientar a prática clínica e a atualização de diretrizes terapêuticas.
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