Perfil epidemiológico da sífilis em gestantes no Nordeste brasileiro a partir de dados do DATASUS (2018–2021)
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n2p124-136Palavras-chave:
Sífilis, Gravidez, Vigilância em saúde públicaResumo
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum, que representa um importante problema de saúde pública, especialmente durante a gestação, devido ao risco de transmissão vertical e às graves consequências materno-infantis, como aborto espontâneo, natimortalidade, prematuridade e malformações congênitas. No Nordeste do Brasil, desigualdades sociais, limitações no acesso aos serviços de saúde, falhas na assistência pré-natal e dificuldades no diagnóstico e tratamento oportunos contribuem para a persistência de elevados índices da doença, configurando um desafio contínuo para os sistemas de saúde. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo analisar a prevalência da sífilis em gestantes no Nordeste brasileiro. Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo, de abordagem quantitativa, realizado a partir da análise de dados secundários do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), referentes aos casos confirmados de sífilis em gestantes notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), no período de 2018 a 2021. Foram analisadas variáveis como distribuição geográfica por estado, faixa etária, raça/cor e nível de escolaridade. No período investigado, registraram-se 47.014 casos confirmados de sífilis em gestantes na região Nordeste, com maior concentração no estado de Pernambuco, responsável por 22,8% dos casos, seguido pela Bahia. Observou-se predominância da infecção entre gestantes com idade entre 20 e 39 anos (73,0%), de raça/cor parda (71,0%) e com escolaridade entre a 5ª e a 8ª série do ensino fundamental incompleto (22,2%). Embora tenha sido identificada uma tendência de redução dos casos ao longo dos anos analisados, os números permanecem expressivos. Conclui-se que a sífilis na gestação permanece como um relevante problema de saúde pública no Nordeste brasileiro, evidenciando a necessidade de fortalecimento da vigilância epidemiológica, ampliação do acesso ao diagnóstico e tratamento oportunos, além da implementação de estratégias direcionadas às populações mais vulneráveis, visando à redução das desigualdades sociais e à prevenção da transmissão vertical da doença.
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