Catarata Congênita: Aspectos Clínicos, Diagnósticos, Terapêuticos e Repercussões no Neurodesenvolvimento Infantil

Autores

  • Isadora de Souza Araújo Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino
  • Michel Júlio de Oliveira Fagundes Centro Universitário de Pato Branco
  • Beatriz Simões Juabre Faculdade São Leopoldo Mandic
  • Izaque Benedito Miranda Batista Universidade de Vassouras
  • Ismaila de Oliveira Drillard Universidade de Vassouras
  • Valentina Liliana Molina Bento Universidade Nove de Julho
  • Fernando Dorneles Ferreira Nunes Universidade Federal do Acre
  • Alex Lucena de Araújo Centro Universitário Santa Maria
  • Nicole Piva Vasques Universidade do Oeste Paulista
  • Saulo Rubens Diniz Faculdade de Medicina de Catanduva
  • Raissa Uchôa Lins Furtado Universidade Potiguar
  • Simão Pedro Melo da Luz Centro Universitário São Lucas
  • Ana Letícia Grigol Dias Universidade Estadual de Ponta Grossa
  • Vitória Carolina Sampaio Bastos França Universidade Nova Iguaçu

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n1p232-245

Palavras-chave:

Catarata congênita; Diagnóstico precoce; Cirurgia pediátrica; Ambliopia; Desenvolvimento infantil; Saúde ocular

Resumo

Introdução: A catarata congênita é uma das principais causas evitáveis de deficiência visual na infância, caracterizando-se pela opacificação parcial ou total do cristalino presente ao nascimento ou desenvolvida nos primeiros meses de vida. Sua importância clínica está relacionada não apenas à perda visual direta, mas também às repercussões no desenvolvimento neuropsicomotor, especialmente quando o diagnóstico e o tratamento são tardios. A privação visual precoce interfere na maturação das vias visuais centrais, podendo resultar em ambliopia profunda e alterações permanentes da visão binocular. No Brasil, apesar dos avanços nos programas de triagem neonatal, a catarata congênita ainda representa um desafio em saúde pública. Objetivo: Analisar os principais aspectos clínicos, diagnósticos e terapêuticos da catarata congênita, bem como discutir suas repercussões no neurodesenvolvimento infantil, com base em evidências consolidadas da literatura e diretrizes de sociedades médicas. Metodologia: Trata-se de um artigo de revisão narrativa, fundamentado em diretrizes nacionais e internacionais, documentos de sociedades de oftalmologia e pediatria, além de estudos observacionais e revisões publicadas em periódicos de reconhecido impacto científico. Foram priorizadas informações relacionadas à prática clínica, diagnóstico precoce, opções terapêuticas e acompanhamento do desenvolvimento infantil. Discussão e Resultados: Clinicamente, a catarata congênita pode manifestar-se como leucocoria, reflexo vermelho ausente ou alterado e nistagmo em casos bilaterais não tratados. O diagnóstico baseia-se no exame oftalmológico completo, com ênfase na avaliação do reflexo vermelho ainda na maternidade. A etiologia é variada, incluindo causas genéticas, metabólicas, infecciosas e idiopáticas. O tratamento é predominantemente cirúrgico, sendo o momento da intervenção determinante para o prognóstico visual. A cirurgia precoce, especialmente nas formas bilaterais, está associada a melhores desfechos visuais e menor impacto no neurodesenvolvimento. O seguimento inclui correção óptica, prevenção da ambliopia e acompanhamento multiprofissional. Conclusão: A catarata congênita exige reconhecimento precoce e manejo oportuno para minimizar danos visuais e neurológicos. A integração entre triagem neonatal eficaz, tratamento cirúrgico no tempo adequado e reabilitação visual contínua é essencial para garantir melhor qualidade de vida e desenvolvimento global da criança.

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Referências

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Publicado

2026-01-12

Como Citar

de Souza Araújo, I., de Oliveira Fagundes, M. J., Simões Juabre, B., Miranda Batista, I. B., de Oliveira Drillard, I., Molina Bento, V. L., Dorneles Ferreira Nunes , F., Lucena de Araújo, A., Piva Vasques, N., Diniz , S. R., Uchôa Lins Furtado, R., Melo da Luz, S. P., Grigol Dias, A. L., & Sampaio Bastos França , V. C. (2026). Catarata Congênita: Aspectos Clínicos, Diagnósticos, Terapêuticos e Repercussões no Neurodesenvolvimento Infantil. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 8(1), 232–245. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n1p232-245