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Do armazenamento celular à preservação de corpos humanos: o papel da criônica na medicina contemporânea
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Palavras-chave

Criônica; Criopreservação; Medicina regenerativa; Bioética; Futuro da medicina.

Como Citar

Ishisaki, B. R. E., das Candeias, H. Y. B., Conrado, L. G., Gusso, E. T., Burigo, E. M., & de Freitas , O. S. (2026). Do armazenamento celular à preservação de corpos humanos: o papel da criônica na medicina contemporânea. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 8(1), 42–52. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n1p42-52

Resumo

A criônica, entendida como a preservação criogênica de organismos humanos com a expectativa de futura reanimação, ocupa um espaço controverso entre a ciência biomédica e a especulação tecnológica. Este artigo apresenta uma revisão narrativa da literatura, com o objetivo de analisar os fundamentos técnicos, os potenciais impactos médicos e as implicações éticas, legais e sociais da criônica. A busca bibliográfica incluiu publicações entre 2000 e 2025 em bases como PubMed, Scopus, Web of Science e Google Scholar, contemplando artigos científicos, revisões e documentos institucionais relevantes. Os resultados evidenciam que, embora a criopreservação seja consolidada em contextos biomédicos específicos, como na reprodução assistida e no uso de células-tronco, a preservação integral de órgãos e organismos permanece tecnicamente inviável. Apesar disso, a criônica atua como catalisador de reflexões sobre o futuro da medicina regenerativa e da logística de transplantes, ao mesmo tempo em que suscita dilemas éticos e jurídicos relacionados à identidade, ao consentimento informado e à justiça distributiva. Conclui-se que, no estado atual da ciência, a criônica deve ser compreendida como especulação tecnológica, mas seu debate contribui para o avanço crítico da biomedicina e para a problematização da finitude humana no século XXI.

 

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n1p42-52
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