REPERCUSSÕES DO TRATAMENTO MEDICAMENTOSO NO SOFRIMENTO PSÍQUICO E NA ADAPTAÇÃO EMOCIONAL DE PACIENTES APÓS ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO

Autores

  • João Vitor Dos Santos Nascimento
  • Naiara Cristina de Souza Garajau
  • Francislena de Albuquerque Prestes
  • Graziela Cavalcanti de Albuquerque
  • Dayanna Cristiny Souza de Castro
  • Taiane Silva da Costa
  • Priscila Almeida Fagundes
  • Lívia Maria dos Santos
  • Bruna Eduarda Silva Maranhão
  • Juliana Rodrigues Texeira
  • Sarah Fernandes Zaparoli
  • Alen Cleber Monteiro

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n12p1551-1570

Palavras-chave:

Acidente vascular encefálico, Tratamento medicamentoso, Sofrimento psíquico, Adaptação emocional, Reabilitação.

Resumo

O Acidente Vascular Encefálico (AVE) configura-se como uma das principais causas de incapacidade adquirida, gerando repercussões físicas, cognitivas e emocionais que impactam significativamente a qualidade de vida dos indivíduos acometidos. No período pós-AVE, o tratamento medicamentoso é fundamental para a prevenção de recorrências, o controle de fatores de risco e o manejo das sequelas neurológicas. Entretanto, o uso contínuo de medicamentos pode influenciar de forma relevante o sofrimento psíquico e a adaptação emocional dos pacientes, tornando-se necessário compreender essas repercussões de maneira ampliada. O estudo objetivou analisar as repercussões do tratamento medicamentoso no sofrimento psíquico e na adaptação emocional de pacientes após o Acidente Vascular Encefálico, à luz das evidências científicas e das diretrizes nacionais. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa, descritiva e exploratória, realizada a partir de buscas nas bases de dados LILACS, SciELO, PubMed/MEDLINE e Biblioteca Virtual em Saúde. Foram incluídos estudos publicados entre 2020 e 2025, além de diretrizes e legislações pertinentes, que abordassem o tratamento medicamentoso no pós-AVE e suas repercussões emocionais e psicológicas. A análise dos dados foi conduzida por meio da análise temática, permitindo a organização dos achados em categorias relacionadas ao sofrimento psíquico, à adaptação emocional e ao cuidado integral. Os resultados evidenciaram elevada prevalência de manifestações como depressão, ansiedade e transtornos relacionados ao estresse, frequentemente associadas à polifarmácia, aos efeitos adversos e às interações medicamentosas. Observou-se que o tratamento farmacológico, embora essencial, pode reforçar sentimentos de vulnerabilidade, dependência e perda de autonomia, interferindo negativamente na adaptação emocional e na adesão à reabilitação. Conclui-se que a integração do tratamento medicamentoso com estratégias de apoio psicológico e abordagem interdisciplinar é fundamental para a redução do sofrimento psíquico e para a promoção de uma assistência mais humanizada e centrada no paciente após o AVE.

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Publicado

2025-12-30

Como Citar

Nascimento, J. V. D. S., Garajau, N. C. de S., Prestes, F. de A., Albuquerque, G. C. de, Castro, D. C. S. de, Costa, T. S. da, Fagundes, P. A., Santos, L. M. dos, Maranhão, B. E. S., Texeira, J. R., Zaparoli, S. F., & Monteiro, A. C. (2025). REPERCUSSÕES DO TRATAMENTO MEDICAMENTOSO NO SOFRIMENTO PSÍQUICO E NA ADAPTAÇÃO EMOCIONAL DE PACIENTES APÓS ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 7(12), 1551–1570. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n12p1551-1570