Miocardite Enteroviral Neonatal: desafios diagnósticos e implicações clínicas
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n12p1515-1534Palavras-chave:
miocardite, Recém-nascidos, miocardite viral, enterovírus, infecções por enterovírusResumo
A infecção neonatal pelos enterovírus é geralmente assintomática e autolimitada, mas pode evoluir, em casos raros, para miocardite, condição inflamatória grave caracterizada por rápida progressão clínica e alta letalidade. Em recém-nascidos, a elevada expressão do receptor coxsackie-adenovírus (CAR) favorece intensa replicação viral, contribuindo para quadros fulminantes e dificultando o reconhecimento precoce, já que as manifestações clínicas são inespecíficas e frequentemente mimetizam sepse ou outras doenças infecciosas. Diante desse contexto, este estudo teve como objetivo sintetizar criticamente as evidências disponíveis sobre a miocardite enteroviral neonatal, com ênfase nos desafios diagnósticos e nas limitações atualmente presentes na literatura, abordando de forma integrada suas manifestações clínicas, fisiopatologia, evolução e possibilidades terapêuticas. Para isso, foi realizada uma revisão narrativa com busca nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO e LILACS, entre abril e novembro de 2025, utilizando descritores em português, inglês e espanhol relacionados à miocardite viral e infecção enteroviral no período neonatal. Foram incluídos estudos publicados nos últimos dez anos e com relevância clínica para o tema, enquanto pesquisas envolvendo exclusivamente crianças mais velhas ou adultos, artigos sem acesso integral ou sem relação direta com miocardite enteroviral foram excluídos. A análise dos estudos selecionados evidenciou que, embora a RT-PCR constitua o método mais sensível para confirmação da infecção viral, o diagnóstico da miocardite ainda depende de abordagem multimodal envolvendo biomarcadores, eletrocardiograma e exames de imagem, que carecem de padronização específica para neonatos. Quanto ao manejo, predominam intervenções de suporte hemodinâmico, e as terapias farmacológicas disponíveis apresentam resultados heterogêneos. Assim, a literatura atual revela importantes lacunas quanto a critérios diagnósticos, marcadores de gravidade e estratégias terapêuticas ideais, reforçando a necessidade de estudos multicêntricos e diretrizes neonatal-específicas que permitam melhorar o reconhecimento precoce e os desfechos clínicos associados à miocardite enteroviral.
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