Novos Antivirais no Tratamento da COVID-19: Evidências Atuais e Perspectivas Terapêuticas
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n12p1488-1501Palavras-chave:
COVID-19; Antivirais; Tratamento farmacológico; SARS-CoV-2; Terapia antiviral; Saúde pública.Resumo
Introdução: A pandemia de COVID-19 evidenciou a necessidade de estratégias terapêuticas eficazes capazes de reduzir a progressão da doença e a mortalidade, especialmente em populações de risco. Embora a vacinação tenha se consolidado como a principal medida de controle, o tratamento farmacológico permanece essencial para indivíduos infectados, sobretudo idosos, imunossuprimidos e portadores de comorbidades. Nesse cenário, os antivirais de ação direta contra o SARS-CoV-2 ganharam destaque, atuando principalmente na fase inicial da infecção, quando a replicação viral é mais intensa. A incorporação desses medicamentos à prática clínica representa um avanço relevante, mas também impõe desafios relacionados à indicação correta, segurança e acesso. Objetivo: Apresentar uma análise das evidências atuais sobre os principais antivirais utilizados no tratamento da COVID-19, bem como discutir suas perspectivas terapêuticas na prática clínica. Metodologia: Foi realizada uma revisão narrativa da literatura, com base em diretrizes oficiais, documentos técnicos de sociedades médicas reconhecidas e artigos científicos de alto impacto. A seleção priorizou estudos clínicos, revisões e consensos publicados recentemente, com foco na aplicabilidade clínica dos antivirais no manejo da COVID-19. Discussão e Resultados: Os antivirais atualmente disponíveis demonstram maior eficácia quando administrados precocemente. O nirmatrelvir associado ao ritonavir mostrou redução significativa de hospitalizações e óbitos em pacientes ambulatoriais de alto risco. O remdesivir permanece relevante no contexto hospitalar, especialmente em indivíduos com necessidade de oxigênio suplementar, enquanto o molnupiravir surge como alternativa em situações específicas. Apesar dos benefícios, o uso desses fármacos exige avaliação criteriosa de interações medicamentosas, função renal e hepática, além da adequada estratificação de risco dos pacientes. Conclusão: Os novos antivirais constituem importante ferramenta no tratamento da COVID-19, complementando as estratégias preventivas. O uso baseado em evidências e protocolos clínicos contribui para melhores desfechos, reforçando a necessidade de atualização contínua dos profissionais de saúde frente às constantes mudanças no cenário da doença.
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