O impacto da anestesia na resposta inflamatória e imunológica
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n12p1408-1418Palavras-chave:
anestesia, resposta inflamatória, imunomodulação, estresse cirúrgicoResumo
Este artigo revisa a literatura científica sobre o impacto das diferentes técnicas anestésicas na modulação da resposta inflamatória e imunológica em pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos, com ênfase nas implicações clínicas relacionadas à recuperação pós-operatória, risco infeccioso e prognóstico a curto e longo prazo. A pesquisa foi conduzida nas bases de dados PubMed, Scopus e Web of Science, utilizando os descritores “Anestesia”, “Resposta Inflamatória”, “Resposta Imunológica”, “Anestesia Geral”, “Anestesia Regional” e “Imunomodulação”. A análise dos estudos demonstra que o trauma cirúrgico desencadeia uma resposta inflamatória sistêmica caracterizada pela liberação de citocinas pró-inflamatórias, ativação neuroendócrina e supressão transitória da imunidade celular, sendo esse processo significativamente influenciado pelo tipo de anestesia empregada. Evidências indicam que a anestesia geral, especialmente quando associada ao uso prolongado de agentes voláteis e opioides, pode intensificar a resposta inflamatória e promover maior depressão da função de linfócitos T e células natural killer (NK). Em contraste, técnicas de anestesia regional, como anestesia peridural e bloqueios periféricos, demonstram atenuar a resposta ao estresse cirúrgico por meio da redução da ativação simpática e do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, resultando em menor liberação de catecolaminas e citocinas inflamatórias. Além disso, a analgesia regional contribui para a preservação da função imunológica, com potenciais benefícios na redução de infecções pós-operatórias e na recorrência tumoral em cirurgias oncológicas. Estudos recentes também destacam o papel imunomodulador de agentes anestésicos específicos, como o propofol, associado a efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes, em comparação aos anestésicos inalatórios, que podem estar relacionados a maior ativação inflamatória. A compreensão da interação entre anestesia, inflamação e imunidade é fundamental para o desenvolvimento de estratégias anestésicas mais seguras e individualizadas, capazes de minimizar a disfunção imunológica perioperatória e otimizar os desfechos clínicos dos pacientes.
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Referências
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