Internações por Infarto Agudo do Miocárdio no Brasil: tendência temporal e perfil epidemiológico

Autores

  • Amanda de Góis Carvalho Silva Universidade do Estado do Pará
  • Maria Júlia Kapp Bressan Centro Universitário Claretiano - Rio Claro/SP
  • Caio Branco Buzinaro Pontifícia Universidade Católica de Campinas
  • Maria Júlia Schneider Universidade Metropolitana de Santos
  • Eduardo Paz Dantas UNIFACID
  • Karla Mireya Braga Sipriano Gomes Universidade de Rio Verde Campus Goianésia (UniRV)

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n12p1307-1318

Palavras-chave:

epidemiologia, internações, sistema único de saúde, infarto agudo do miocárdio

Resumo

Introdução: O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) permanece como uma das principais causas de hospitalização no Sistema Único de Saúde (SUS), apresentando distribuição desigual entre as regiões brasileiras e forte impacto sociodemográfico. A compreensão das disparidades regionais, etárias e raciais é essencial para orientar estratégias de manejo e políticas públicas de equidade. Objetivo: Analisar a carga epidemiológica das internações por IAM no Brasil entre 2020 e 2024, identificando padrões regionais, tendências temporais e perfis demográficos de idade e cor/raça. Métodos: Estudo descritivo, retrospectivo e quantitativo, baseado em dados secundários do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). Foram analisadas internações por IAM entre 2020 e 2024, considerando volume de hospitalizações, distribuição regional, faixas etárias e autodeclaração de cor/raça. Os dados foram extraídos via DATASUS/TabNet. Resultados: Foram registradas 787.114 internações no período, com pico em 2023 (172.046 casos). A Região Sudeste liderou massivamente, concentrando 48,56% das hospitalizações. A população idosa representou mais de 60% do total, embora um perfil de "rejuvenescimento" proporcional tenha sido observado nas regiões Norte e Centro-Oeste. Quanto à cor/raça, a população parda predominou no Norte (72,85%) e Nordeste (69,08%), enquanto a população branca concentrou 82,60% das internações no Sul. Observou-se uma tendência de crescimento pós-2020, compatível com o impacto da demanda reprimida pela pandemia de COVID-19, seguida de estabilização em 2024. Conclusão: O IAM mantém alta carga epidemiológica no Brasil, com marcadas desigualdades regionais e sociais. A predominância em idosos e as variações raciais reforçam a necessidade de considerar a interseccionalidade e os determinantes sociais na formulação de políticas. Os achados evidenciam a importância de fortalecer a rede de alta complexidade em regiões remotas e qualificar os sistemas de informação para reduzir as subnotificações e orientar decisões em saúde pública.


Palavras-chave: Epidemiologia; Hospitalização; Sistema Único de Saúde; Infarto Agudo do Miocárdio.

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Publicado

2025-12-20

Como Citar

de Góis Carvalho Silva, A., Kapp Bressan, M. J., Branco Buzinaro, C., Schneider, M. J., Paz Dantas , E., & Mireya Braga Sipriano Gomes , K. (2025). Internações por Infarto Agudo do Miocárdio no Brasil: tendência temporal e perfil epidemiológico. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 7(12), 1307–1318. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n12p1307-1318