Febre Oropouche em pediatria: desafios na identificação clínica e no diagnóstico diferencial em áreas endêmicas

Autores

  • Lígia Costa de Moraes
  • Flávio De Lima sardinha Barreto
  • Marivaldo De Moraes e Silva
  • Marcos Gabriel Barbosa castello branco
  • Francisco Miguel Da Silva Freitas
  • Rafaela Nunes crispino
  • Lucas Coelho da Silva
  • Tamilis De Azevedo Neves
  • Andréia di paula Costa melo
  • Gabrielly Moraes de Figueiredo
  • Arlene Leite dos santos spengler
  • Beatriz Delvelan ramos
  • Isabella Zanutto barile
  • Ana Carolina De Campos Carvalho
  • Fernando Lopes De Andrade Carmo
  • Maria Eduarda Pires da Mota
  • Enrico Duarte pedrozo trentin
  • Giulia De Oliveira tessari
  • Eduarda Silva Guedes
  • Charlotte sophie Schlanger Robles
  • Letícia Polezuk Scaramussa

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n12p1091-1105

Palavras-chave:

Pediatria, Febre Oropouche, Desafios clínicos

Resumo

INTRODUÇÃO: A febre Oropouche (OROV) consolidou-se como a segunda arbovirose mais prevalente na Amazônia, contudo, sua carga específica e manifestações neuroinvasivas em populações pediátricas permanecem subdiagnosticadas devido à sobreposição clínica com arboviroses endêmicas. METODOLOGIA: Realizou-se uma revisão integrativa da literatura (PubMed, SciELO, Web of Science; até novembro de 2025) para sintetizar evidências sobre o perfil clínico, acometimento neurológico e acurácia diagnóstica do OROV em crianças. Foram incluídos estudos observacionais, séries de casos e dados experimentais focados em desafios do diagnóstico diferencial em cenários de co-circulação viral. RESULTADOS: A análise demonstra que crianças apresentam taxas de ataque desproporcionalmente altas em surtos urbanos. Clinicamente, a infecção manifesta-se predominantemente como síndrome febril aguda indistinguível de Dengue e Zika, porém, uma proporção significativa dos casos evolui para complicações do Sistema Nervoso Central, incluindo meningite asséptica e meningoencefalite. A ausência de leucopenia marcada e a presença de sintomas gastrointestinais intensos foram identificados como potenciais, mas fracos, discriminadores clínicos. A dependência de diagnóstico clínico resultou em taxas críticas de falso-negativos, corrigidas apenas mediante testagem molecular (RT-PCR), que revelou positividade para OROV mesmo em pacientes previamente diagnosticados com outras arboviroses. CONCLUSÃO: O OROV é uma etiologia negligenciada de meningites virais e febres agudas em pediatria, cuja detecção é obscurecida por falhas nos algoritmos clínicos vigentes. A implementação sistemática de painéis moleculares multiplex é imperativa para diferenciar o OROV em áreas de transmissão ativa, prevenindo o manejo inadequado e permitindo a vigilância real da expansão viral.

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Referências

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Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences Volume 5, Issue 3 (2023), Page 05-43.

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Publicado

2025-12-17

Como Citar

Costa de Moraes , L., De Lima sardinha Barreto , F., De Moraes e Silva , M., Barbosa castello branco, M. G., Da Silva Freitas, F. M., Nunes crispino, R., Coelho da Silva , L., De Azevedo Neves, T., Costa melo, A. di paula, Moraes de Figueiredo , G., Leite dos santos spengler , A., Delvelan ramos, B., Zanutto barile , I., De Campos Carvalho , A. C., Carmo, F. L. D. A., Pires da Mota, M. E., Duarte pedrozo trentin , E., De Oliveira tessari , G., Silva Guedes , E., Schlanger Robles, C. sophie, & Polezuk Scaramussa, L. (2025). Febre Oropouche em pediatria: desafios na identificação clínica e no diagnóstico diferencial em áreas endêmicas. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 7(12), 1091–1105. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n12p1091-1105