Abordagem Diagnóstica da Neurocriptococose em Imunocompetentes

Revisão Integrativa de Literatura

Autores

  • Antônio Henrique Barroso do Vale Filho UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
  • Michel Reis Abdalla

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n12p1071-1090

Palavras-chave:

Neurocriptococose, Imunocompetente, Diagnóstico

Resumo

Introdução: A neurocriptococose é uma doença de distribuição mundial de alta mortalidade, desencadeada pelo acometimento fúngico do sistema nervoso central (SNC), tendo como principais agentes patogênicos cepas capsuladas do gênero Cryptococcus. Dentre as espécies com relevância epidemiológica, destacam-se Cryptococcus neoformans, patógeno oportunista, e Cryptococcus gattii, de distribuição limitada, que acomete populações específicas de pacientes imunocompetentes. Contudo, a emergência de casos diagnosticados em imunocompetentes tem chamado a atenção para a complexidade diagnóstica dessa patologia, uma vez que não se costuma incluir esse diagnóstico entre as hipóteses iniciais em indivíduos sem fatores clássicos de risco. Objetivo: Descrever casos relatados de neurocriptococose em pacientes imunocompetentes, destacando a abordagem diagnóstica empregada. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa nos moldes de Botelho, Cunha e Macedo (2011), utilizando a estratégia PICO. Definiu-se como população os pacientes imunocompetentes diagnosticados com neurocriptococose e como intervenção os métodos de investigação diagnóstica. Foram utilizados os descritores Neurocriptococose/Neurocryptococcosis e Imunocompetente/Immunocompetent nas bases NLM, SciELO e BVS. Não houve recorte temporal devido à raridade da condição. A triagem seguiu o método PRISMA, e os estudos foram organizados segundo adaptação do instrumento de Ursi (2005). Resultados e Discussão: Os artigos incluídos mostram que o diagnóstico frequentemente é realizado apenas quando o paciente já apresenta gravidade clínica, e que os exames de imagem muitas vezes sugerem neoplasias ou outras etiologias, atrasando o diagnóstico definitivo, o qual é estabelecido principalmente por meio da análise do líquor, investigação fúngica com coloração pela tinta nanquim, detecção de antígeno criptocócico, cultura ou biópsia com exame histopatológico. Conclusão: a incorporação de protocolos de assistência que incluam a a investigação fúngica em quadros neurológicos é capaz de contribuir significativamente para o reconhecimento mais rápido dessa condição, uma vez que pode aprimorar o diagnóstico precoce e reduzir desfechos adversos.

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Publicado

2025-12-17

Como Citar

Vale Filho, A. H. B. do, & Abdalla, M. R. (2025). Abordagem Diagnóstica da Neurocriptococose em Imunocompetentes: Revisão Integrativa de Literatura. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 7(12), 1071–1090. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n12p1071-1090