Resumo
Introdução: a sepse permanece como uma das principais causas de mortalidade em unidades de terapia intensiva no Brasil e no mundo, responsável por cerca de 11 milhões de óbitos anuais e letalidade superior a 40% em casos graves. O diagnóstico tardio é o principal determinante de mau prognóstico, tornando o reconhecimento precoce imperativo. Metodologia: revisão narrativa de artigos publicados entre 2015 e 2025, selecionados nas bases PubMed/MEDLINE, Scopus, SciELO e LILACS, priorizando estudos experimentais, revisões de alto impacto e consensos internacionais (Sepsis-3), sem busca sistemática formal. Fisiopatologia: a sepse resulta de resposta inflamatória desregulada à infecção, com tempestade de citocinas, imunotrombose e, posteriormente, imunoparalisia profunda com apoptose linfocitária e expressão elevada de PD-L1. Reconhecimento Precoce: qSOFA e SOFA permanecem como critérios clínicos mais utilizados, porém com limitações de sensibilidade e demora. Biomarcadores promissores incluem Ang-2, Sindecan-1, NETs, contagem absoluta de linfócitos, miRNAs, genes relacionados à lactilação e modelos de inteligência artificial/machine learning. Discussão: a integração entre fisiopatologia e ferramentas diagnósticas permite identificar a sepse antes da falência orgânica evidente, mas persistem lacunas na validação em populações sub-representadas, acesso limitado a testes avançados no Brasil e alarmes falsos em sistemas de IA. Conclusão: o futuro do diagnóstico da sepse reside na combinação de sinais clínicos simples, biomarcadores de dano endotelial e inteligência artificial. Enquanto recursos avançados não estiverem amplamente disponíveis, o treinamento contínuo das equipes e o uso rigoroso de qSOFA/SOFA e protocolos já existentes permanecem as estratégias mais eficazes e realistas para reduzir a elevada mortalidade por sepse no contexto brasileiro.
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