Transtorno do Espectro Autista: Aspectos Clínicos, Diagnósticos e Abordagens Terapêuticas Atuais

Autores

  • Samuel Cândido Freres Universidade Federal do Paraná
  • Izaque Benedito Miranda Batista Universidade de Vassouras
  • Enzo Rocha Antônio Universidade de Franca
  • Danilo Falcão Menezes Brilhante Universidade Estadual do Ceará
  • Davi Falcão Menezes Brilhante Universidade Estadual do Ceará
  • Isabelle Caldas Carneiro Faculdade São Leopoldo Mandic
  • Pedro de Castro Roveda Faculdade São Leopoldo Mandic
  • Ana Paula Aragon Franchi Centro Universitário Max Planck
  • Fernando Hissa Haddad Pontifícia Universidade Católica do Paraná
  • Leandro Andrade da Silva Universidade do Estado do Rio de Janeiro
  • Maria das Graças Gazel de Souza Universidade Iguaçu
  • Gabriela Ferreira da Silva Universidade Federal de Juiz de Fora
  • Gabriel Barbugian Lanzuolo Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n12p563-574

Palavras-chave:

autismo, neurodesenvolvimento, diagnóstico, intervenção precoce, comportamento, terapia multidisciplinar.

Resumo

Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) caracteriza-se por déficits persistentes na comunicação social e por padrões restritivos e repetitivos de comportamento, com início precoce na infância. A prevalência global tem aumentado, fato atribuído tanto à ampliação dos critérios diagnósticos quanto ao maior reconhecimento clínico. Diretrizes da American Academy of Pediatrics (AAP) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) destacam a importância da identificação precoce para otimizar o desenvolvimento cognitivo, social e adaptativo. Objetivo: Apresentar os principais aspectos clínicos, critérios diagnósticos e estratégias terapêuticas atuais no manejo do TEA, com base em evidências atualizadas e recomendações de sociedades médicas. Metodologia: Foi realizada revisão narrativa baseada em artigos publicados entre 2014 e 2024, selecionados em bases como PubMed e SciELO, além de diretrizes da AAP, SBP e da American Psychiatric Association. Foram incluídos estudos sobre clínica, diagnóstico e terapêutica com aplicabilidade prática na atenção pediátrica e multiprofissional. Discussão/Resultados: Os sintomas do TEA variam quanto à intensidade e forma de apresentação. Alterações no contato visual, prejuízo na linguagem funcional, hiperfocos e rigidez comportamental são achados frequentes. O diagnóstico continua sendo eminentemente clínico, guiado pelos critérios do DSM-5 e escalas estruturadas, como ADOS-2 e M-CHAT, recomendadas para triagem em crianças pequenas. Exames complementares são reservados para investigação etiológica, especialmente em casos com déficit intelectual ou sinais neurológicos associados. A intervenção precoce é o ponto central das recomendações internacionais, com destaque para terapias baseadas em análise do comportamento aplicada (ABA), treinamentos de comunicação social e programas de intervenção mediada pelos pais. A farmacoterapia é indicada apenas para sintomas-alvo, como irritabilidade, hiperatividade ou distúrbios do sono, utilizando-se antipsicóticos atípicos ou moduladores comportamentais conforme diretrizes psiquiátricas. Abordagens educacionais estruturadas, suporte fonoaudiológico e terapia ocupacional complementam o manejo, proporcionando ganhos funcionais importantes. Conclusão: O TEA demanda uma abordagem individualizada, contínua e multiprofissional. O diagnóstico precoce e o início imediato das intervenções estruturadas permanecem como pilares para melhores desfechos, permitindo avanços relevantes no desenvolvimento e na autonomia das crianças.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

BRAGA, L. et al. Intervenções multidisciplinares no TEA: impacto funcional e comunicativo. Revista Brasileira de Desenvolvimento Infantil, v. 9, n. 2, p. 112–129, 2023.

CASE-SMITH, J. et al. Systematic review of sensory integration therapy for autism. American Journal of Occupational Therapy, v. 72, n. 1, p. 1–10, 2018.

CHEVALIER, G. et al. Novel pharmacological targets in autism spectrum disorder. Neuroscience Letters, v. 726, p. 134916, 2020.

D’ONOFRIO, B. M. et al. Parental age and the risk of autism spectrum disorders. JAMA Psychiatry, v. 71, n. 5, p. 538–546, 2014.

GARDINER, E. et al. Hybrid behavioral interventions for autism: randomized clinical trial. Journal of Autism and Developmental Disorders, v. 50, p. 4593–4607, 2020.

GROVE, J. et al. Identification of common genetic risk variants for autism spectrum disorder. Nature Genetics, v. 51, p. 431–444, 2019.

GRYNSPAN, O. et al. Virtual-reality based social training in children with autism. Autism Research, v. 15, n. 3, p. 512–523, 2022.

HEDVIG, K. et al. Early interventions and neural plasticity in autism. Developmental Medicine & Child Neurology, v. 61, n. 12, p. 1395–1403, 2019.

HULL, L. et al. Gender differences in self-reported camouflaging in autistic adults. Autism, v. 24, n. 2, p. 352–363, 2020.

JONSSON, U. et al. Methodological challenges in autism intervention research. Acta Paediatrica, v. 111, p. 150–158, 2022.

MAENNER, M. J. et al. Prevalence and characteristics of autism spectrum disorder among children aged 8 years — ADDM Network, 2020. MMWR Surveillance Summaries, v. 72, n. 2, p. 1–14, 2023.

MCGUIRE, K. et al. Irritability in autism spectrum disorder: clinical trials review. Journal of Child and Adolescent Psychopharmacology, v. 26, n. 2, p. 111–126, 2016.

NICE – National Institute for Health and Care Excellence. Autism spectrum disorder in under 19s: support and management. London, 2016.

OWLEY, T. et al. Antipsychotic treatment outcomes in autism: systematic review. Pediatrics, v. 144, n. 5, p. e20183909, 2019.

SERRET, M. et al. Behavioral intervention outcomes in autism: updated systematic review. Clinical Psychology Review, v. 88, p. 102066, 2021.

TOMMERDAHL, M. et al. AAC tools in nonverbal autism: functional communication outcomes. Augmentative and Alternative Communication, v. 37, n. 4, p. 243–254, 2021.

WITWER, A. et al. School-based barriers to autism intervention implementation. Journal of Special Education, v. 52, n. 4, p. 234–245, 2018.

ZWAIGENBAUM, L. et al. Early intervention for children with autism spectrum disorder. Pediatrics, v. 136, n. 1, p. S60–S81, 2015.

Downloads

Publicado

2025-12-08

Como Citar

Cândido Freres, S., Benedito Miranda Batista, I., Rocha Antônio, E., Falcão Menezes Brilhante, D., Falcão Menezes Brilhante, D., Caldas Carneiro, I., de Castro Roveda, P., Aragon Franchi, A. P., Hissa Haddad, F., Andrade da Silva, L., Gazel de Souza, M. das G., Ferreira da Silva, G., & Barbugian Lanzuolo, G. (2025). Transtorno do Espectro Autista: Aspectos Clínicos, Diagnósticos e Abordagens Terapêuticas Atuais. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 7(12), 563–574. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n12p563-574