Impacto Psicológico da Reconstrução Mamária após Câncer de Mama

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n12p140-156

Palavras-chave:

reconstrução mamária, mastectomia, qualidade de vida, impacto psicológico, câncer de mama

Resumo

A reconstrução mamária após o câncer de mama emerge como componente essencial do cuidado integral, dada a elevada incidência da doença e o impacto emocional decorrente da mastectomia. Em um cenário marcado por desigualdades de acesso, sobretudo na América Latina, a demanda por intervenções que restauram não apenas a anatomia, mas também a integridade subjetiva das pacientes, tem aumentado progressivamente. A literatura demonstra que a reconstrução exerce influência direta sobre autoestima, imagem corporal, sexualidade, ansiedade, depressão e qualidade de vida, configurando-se como instrumento de reabilitação física e emocional. O procedimento, seja imediato ou tardio, funciona como mediador simbólico da recomposição identitária, reduzindo a sensação de perda e favorecendo a reintegração psicossocial. Técnicas autólogas tendem a proporcionar maior naturalidade e estabilidade estética, enquanto implantes oferecem recuperação mais rápida, porém com maior risco de complicações que podem afetar o bem-estar emocional. A escolha do método deve considerar fatores clínicos, culturais e psicológicos, e a decisão compartilhada aparece como elemento fundamental para alinhar expectativas e reduzir sofrimento. A literatura indica que suporte social robusto, histórico psiquiátrico favorável e comunicação clara com a equipe de saúde modulam positivamente a adaptação emocional. Por outro lado, complicações cirúrgicas, revisões e insatisfação estética estão associadas ao aumento de ansiedade e frustração. Apesar dos avanços técnicos, persistem lacunas metodológicas importantes, especialmente a heterogeneidade dos instrumentos utilizados para medir desfechos psicológicos, o que limita comparações e dificulta conclusões uniformes. Estudos longitudinais também são escassos, sobretudo na avaliação do impacto emocional sustentado em diferentes técnicas reconstrutivas. Diante desse panorama, torna-se evidente que a reconstrução mamária transcende a dimensão estética e se consolida como intervenção essencial para a recuperação ampliada, exigindo abordagem multidisciplinar, comunicação qualificada e maior rigor metodológico na produção científica.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

BAXTER, N. et al. Shared decision-making in breast reconstruction: Long-term psychosocial outcomes. Journal of Surgical Oncology, v. 124, p. 1120–1128, 2021.

CLARK, J.; HENDERSON, L. Psychological predictors of breast reconstruction satisfaction. Psycho-Oncology, v. 31, p. 345–354, 2022.

CLARKE, A. et al. Depression and anxiety trajectories after mastectomy and reconstruction. Breast Cancer Research, v. 22, p. 115–124, 2020.

HANSEN, M. et al. Outcomes following partial flap necrosis in autologous breast reconstruction. Plastic and Reconstructive Surgery, v. 145, p. 985–993, 2020.

HOLT, R. et al. Age as a predictor of psychosocial outcomes after reconstruction. Annals of Surgical Oncology, v. 25, p. 2752–2760, 2018.

MARTINS, F. et al. Timing of breast reconstruction and psychological recovery. Breast, v. 58, p. 88–94, 2021.

MILLER, H. et al. Complications and psychosocial distress in implant-based reconstruction. JAMA Surgery, v. 154, p. 120–130, 2019.

MUTCH, A. et al. Identity and embodiment after breast reconstruction. Health Psychology, v. 38, p. 105–113, 2019.

NCCN. Clinical Practice Guidelines in Oncology: Breast Cancer Reconstruction. Version 2024.

ONG, J. et al. Social support and psychosocial outcomes after mastectomy. Supportive Care in Cancer, v. 28, p. 355–362, 2020.

PARK, J. et al. 3D planning in autologous breast reconstruction. Plastic and Reconstructive Surgery, v. 146, p. 850–860, 2020.

PUSIC, A. et al. BREAST-Q Update and validation studies. Plastic and Reconstructive Surgery, v. 139, p. 47–58, 2017.

SANTOSA, K. et al. Autologous reconstruction and long-term psychological outcomes. JAMA Surgery, v. 153, p. 891–899, 2018.

SPICER, M. et al. Patient-reported outcomes in DIEP flap reconstruction. Breast Journal, v. 25, p. 34–42, 2019.

WINTERS, Z. et al. Anxiety predictors in breast reconstruction. Breast Cancer Research and Treatment, v. 191, p. 455–468, 2022.

YANG, R. et al. Cultural determinants of breast reconstruction satisfaction. International Journal of Breast Cancer, v. 2018, p. 1–10, 2018.

Downloads

Publicado

2025-12-03

Como Citar

Ferreira, D. V., Bezerra, G. V. R., Moraes, T. C. G. de, Andrade, R. de S., Fontana, E. R., Silva, G. O., Caetano, J. H. M., Carrijo, L. F. de P., Rezzieri, R. V. F., Cunha, M. E. A. D., Costa, V. V., Castro, R. B. S. de, & Lourenço, V. R. de A. M. (2025). Impacto Psicológico da Reconstrução Mamária após Câncer de Mama. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 7(12), 140–156. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n12p140-156