Resumo
Introdução: A Doença de Alzheimer (DA) representa um dos maiores desafios de saúde pública global, especialmente devido ao seu caráter progressivo e ao impacto crescente sobre pacientes, familiares e sistemas de saúde. Nesse contexto, torna-se essencial desenvolver novos biomarcadores mais acessíveis e menos invasivos para permitir a detecção precoce e monitoramento da DA, sobretudo em populações com acesso limitado a saúde. Objetivo: Este estudo tem como objetivo investigar os principais biomarcadores utilizados no diagnóstico precoce e no monitoramento clínico da Doença de Alzheimer, com ênfase nos avanços tecnológicos. Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada nas bases PubMed, BVS e SciELO, com busca conduzida entre 10 e 22 de outubro de 2025, incluindo estudos originais publicados entre 2015 e 2025 que abordaram biomarcadores plasmáticos ou séricos em humanos para diagnóstico precoce ou monitoramento clínico da DA; a seleção e a extração dos dados foram realizadas por dois revisores, de forma independente. Resultados: Os resultados demonstram que marcadores como p-tau217, a razão Aβ42/Aβ40 e ADAM10 destacam-se pela capacidade de detectar positividade amiloide, alterações no metabolismo da proteína tau e declínio cognitivo inicial. Técnicas de espectrometria de massas, fluorescência molecular e análises multimodais apresentaram alto desempenho diagnóstico, reforçando seu potencial clínico. Embora os biomarcadores salivares tenham mostrado baixa acurácia, estudos plasmáticos revelaram forte correlação com exames PET e indicadores cognitivos. Conclusão: Conclui-se que os biomarcadores plasmáticos constituem ferramentas estratégicas para ampliar o acesso ao diagnóstico precoce da Doença de Alzheimer, especialmente no contexto do Sistema Único de Saúde e em regiões marcadas por desigualdades estruturais, como a Amazônia, onde as longas distâncias, a escassez de especialistas e as limitações de infraestrutura diagnóstica reforçam a necessidade de métodos menos invasivos, custo-efetivos e operacionalmente simples. Para que esse potencial se concretize, é indispensável avançar na padronização laboratorial, na validação em diferentes perfis populacionais e no investimento contínuo em pesquisa, inovação tecnológica e qualificação das equipes de saúde.
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