Interação entre HIV e Tuberculose: Desafios Clínicos e Estratégias Integradas de Manejo

Autores

  • João Gabriel Dias Ferreira Universidade de Araraquara
  • Lucas Bortogliero do Valle Universidade de Araraquara
  • Vítor Cândido Bianqui Universidade de Araraquara
  • Lucas Gustavo Silva Universidade de Araraquara
  • Ricardo Perri Soares Ferreira
  • Luis Eduardo Souza Nascimento Universidade de Araraquara
  • André Marquetti de Oliveira Universidade de Araraquara
  • Pedro Daud Lopes Universidade de Araraquara
  • Pedro de Castro Roveda Faculdade São Leopoldo Mandic
  • Gustavo Santiago Charloto Universidade Federal do Paraná

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n12p373-384

Palavras-chave:

HIV, tuberculose, coinfecção, manejo integrado, interações medicamentosas, diagnóstico precoce

Resumo

Introdução: A interação entre HIV e tuberculose (TB) representa um dos maiores desafios da saúde pública, especialmente em países com alta prevalência de ambas as infecções. A imunossupressão causada pelo HIV favorece a reativação da TB latente e aumenta o risco de formas graves e disseminadas. No Brasil, diretrizes de sociedades médicas e do Ministério da Saúde ressaltam a necessidade de manejo integrado, visto que a coinfecção permanece como importante causa de adoecimento e mortalidade. Objetivo: Analisar os principais desafios clínicos da coinfecção HIV–TB e apresentar estratégias de manejo alinhadas às recomendações de sociedades médicas, diretrizes brasileiras e literatura científica de referência. Metodologia: Realizou-se uma revisão narrativa baseada em documentos oficiais do Ministério da Saúde, recomendações da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), além de publicações internacionais de referência que abordam diagnóstico, prevenção e terapêutica da coinfecção. Discussão  e Resultados: O diagnóstico oportuno é um dos pontos críticos da coinfecção. Pessoas vivendo com HIV devem ser avaliadas rotineiramente para sintomas respiratórios e submetidas, quando indicado, à testagem com métodos bacteriológicos rápidos, como o teste molecular para detecção de Mycobacterium tuberculosis. A profilaxia da infecção latente, quando bem selecionada, reduz a progressão para TB ativa e integra o conjunto de medidas recomendadas. O tratamento exige atenção às interações medicamentosas, sobretudo envolvendo rifampicina e antirretrovirais. A escolha do esquema deve considerar potência, segurança e a possibilidade de utilizar rifabutina como alternativa em casos específicos. Outro desafio relevante é o momento adequado para iniciar a terapia antirretroviral. Embora o início precoce seja benéfico para maioria dos pacientes, é necessário ponderar o risco da síndrome inflamatória de reconstituição imune, que pode agravar o quadro clínico. Modelos de cuidado integrado, com abordagem multidisciplinar e seguimento compartilhado entre serviços de HIV e TB, têm mostrado melhores resultados, fortalecendo adesão e diminuindo falhas terapêuticas. Conclusão: A coinfecção HIV–TB demanda manejo articulado, diagnóstico precoce e atenção às interações terapêuticas. A adoção das diretrizes nacionais e a integração dos serviços são fundamentais para reduzir complicações e melhorar prognóstico.

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Referências

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Publicado

2025-12-05

Como Citar

Dias Ferreira, J. G., Bortogliero do Valle, L., Cândido Bianqui , V., Silva, L. G., Perri Soares Ferreira, R., Souza Nascimento , L. E., Marquetti de Oliveira, A., Daud Lopes , P., de Castro Roveda , P., & Santiago Charloto, G. (2025). Interação entre HIV e Tuberculose: Desafios Clínicos e Estratégias Integradas de Manejo. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 7(12), 373–384. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n12p373-384