Resumo
Introdução: A interação entre HIV e tuberculose (TB) representa um dos maiores desafios da saúde pública, especialmente em países com alta prevalência de ambas as infecções. A imunossupressão causada pelo HIV favorece a reativação da TB latente e aumenta o risco de formas graves e disseminadas. No Brasil, diretrizes de sociedades médicas e do Ministério da Saúde ressaltam a necessidade de manejo integrado, visto que a coinfecção permanece como importante causa de adoecimento e mortalidade. Objetivo: Analisar os principais desafios clínicos da coinfecção HIV–TB e apresentar estratégias de manejo alinhadas às recomendações de sociedades médicas, diretrizes brasileiras e literatura científica de referência. Metodologia: Realizou-se uma revisão narrativa baseada em documentos oficiais do Ministério da Saúde, recomendações da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), além de publicações internacionais de referência que abordam diagnóstico, prevenção e terapêutica da coinfecção. Discussão e Resultados: O diagnóstico oportuno é um dos pontos críticos da coinfecção. Pessoas vivendo com HIV devem ser avaliadas rotineiramente para sintomas respiratórios e submetidas, quando indicado, à testagem com métodos bacteriológicos rápidos, como o teste molecular para detecção de Mycobacterium tuberculosis. A profilaxia da infecção latente, quando bem selecionada, reduz a progressão para TB ativa e integra o conjunto de medidas recomendadas. O tratamento exige atenção às interações medicamentosas, sobretudo envolvendo rifampicina e antirretrovirais. A escolha do esquema deve considerar potência, segurança e a possibilidade de utilizar rifabutina como alternativa em casos específicos. Outro desafio relevante é o momento adequado para iniciar a terapia antirretroviral. Embora o início precoce seja benéfico para maioria dos pacientes, é necessário ponderar o risco da síndrome inflamatória de reconstituição imune, que pode agravar o quadro clínico. Modelos de cuidado integrado, com abordagem multidisciplinar e seguimento compartilhado entre serviços de HIV e TB, têm mostrado melhores resultados, fortalecendo adesão e diminuindo falhas terapêuticas. Conclusão: A coinfecção HIV–TB demanda manejo articulado, diagnóstico precoce e atenção às interações terapêuticas. A adoção das diretrizes nacionais e a integração dos serviços são fundamentais para reduzir complicações e melhorar prognóstico.
Referências
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