INDICADORES DE USO E NECESSIDADE DE PROTESE DENTÁRIA NO PARÁ: AVANÇOS, PESPECTIVAS E DESAFIOS DE POLÍTICAS PÚBLICAS
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n11p2058-2076Palavras-chave:
Rede de Atenção em Saúde Bucal, Reabilitação oral, AmazôniaResumo
O edentulismo figura como um dos principais agravos de saúde bucal no Brasil. Na região Norte, e particularmente no estado do Pará, desigualdades estruturais e barreiras geográficas contribuem para maiores índices de edentulismo e menor acesso a tratamentos reabilitadores, de modo a impactar a funcionalidade, estética e qualidade de vida da população assolada. Desse modo, considerando a relevância epidemiológica e social do uso de próteses dentárias, o presente estudo analisou os indicadores de uso e necessidade desses dispositivos no Pará, utilizando dados dos levantamentos SB Brasil 2010 e 2020, a fim de identificar avanços, desafios e perspectivas regionais. Para isso, foram avaliadas variáveis relacionadas ao uso e necessidade de próteses nos arcos superior e inferior, média de dentes perdidos por faixa etária, prevalência de edentulismo e distribuição de Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs) no estado em um corte transversal e descritivo. Os resultados apresentaram indicaram redução no uso de próteses entre jovens e adultos ao longo da década, sugerindo reflexos positivos das políticas de saúde bucal e da expansão dos serviços especializados. Contudo, idosos permaneceram como o grupo de maior vulnerabilidade, apresentando as maiores médias de dentes perdidos e maiores percentuais de necessidade protética. Em 2020, tanto a região Norte quanto o Pará exibiram índices superiores de edentulismo e necessidade de prótese quando comparados aos valores nacionais, especialmente para a arcada superior. Conclui-se que, embora tenham ocorrido avanços significativos na reabilitação oral ao longo do período analisado, a população idosa no Pará continua enfrentando desafios no acesso a tratamentos protéticos. O fortalecimento da atenção primária, a ampliação da cobertura de serviços especializados e a modernização da rede são estratégias essenciais para reduzir desigualdades e promover a integralidade do cuidado.
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