ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DA DOENÇA DE CHAGAS AGUDA NO BRASIL (2013-2023): PADRÕES TEMPORAIS, SAZONAIS E POR SEXO EM ADULTOS DE 20 A 59 ANOS
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n11p1789-1803Palavras-chave:
Doença de Chagas, Vigilância epidemiológica, Transmissão oral, Distribuição sazonal, Controle vetorialResumo
INTRODUÇÃO: A Doença de Chagas, resultante da infecção pelo protozoário Trypanosoma cruzi, configura-se como um dos principais desafios em saúde pública na América Latina. OBJETIVO: Analisar a evolução dos casos notificados, destacando padrões sazonais e diferenças por sexo e faixa etária (20-39 e 40-59 anos), utilizando dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). METODOLOGIA: Abordagem epidemiológica observacional, retrospectiva e descritiva, com análise quantitativa de casos confirmados laboratorialmente, processados via estatísticas descritivas no software SPSS. RESULTADOS: Registrou-se um aumento progressivo de 64 casos em 2013 para 292 em 2023, com uma queda em 2020 (120 casos) provavelmente ligada à subnotificação durante a pandemia de COVID-19. Observou-se predominância masculina moderada (54,2%), associada a fatores ocupacionais, exceto em 2018, quando mulheres lideraram a incidência (103 vs. 90 casos). Picos sazonais entre agosto e novembro, com destaque para setembro (284 casos) e outubro (271 casos), sugerem correlação com maior atividade vetorial e consumo de alimentos contaminados, como açaí. CONCLUSÃO: Apesar das limitações, como a ausência de dados regionais e socioeconômicos, o estudo conclui que o crescimento sustentado da Doença de Chagas Aguda reflete tanto maior incidência quanto avanços na vigilância, reforçando a urgência de políticas públicas integradas e estudos futuros para aprimorar a prevenção e o controle adaptados à realidade brasileira.
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