Psilocibina como ferramenta terapêutica em transtornos depressivos em adultos: uma revisão sistemática das evidências e impactos
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n1p452-464Palavras-chave:
Psilocibina, Transtorno Depressivo Maior, Depressão Resistente ao TratamentoResumo
Os transtornos depressivos representam uma das principais causas de incapacidade global, afetando de forma significativa o funcionamento emocional, social e ocupacional dos indivíduos. Apesar da ampla disponibilidade de antidepressivos convencionais, muitos pacientes apresentam resposta insuficiente ou efeitos adversos limitantes, especialmente aqueles com depressão resistente ao tratamento (TRD). Nesse contexto, a psilocibina tem emergido como uma alternativa terapêutica promissora, por demonstrar efeitos antidepressivos rápidos, robustos e potencialmente duradouros quando administrada em ambiente clínico controlado e associada a suporte psicológico. Este estudo teve como objetivo sintetizar as evidências mais recentes sobre a eficácia, segurança e impacto clínico da psilocibina no tratamento de transtornos depressivos em adultos, comparando seus efeitos com placebo e terapias convencionais. Trata-se de uma revisão sistemática conduzida conforme as diretrizes PRISMA, com busca realizada na base PubMed utilizando descritores MeSH relacionados a psilocibina, depressão e desfechos terapêuticos. Foram incluídos ensaios clínicos randomizado e estudos observacionais publicados entre 2015 e 2025, envolvendo adultos com 18 anos ou mais. Foram excluídos estudos com populações pediátricas ou geriátricas, pesquisas pré-clínicas, revisões narrativas, relatos de caso e trabalhos sem avaliação dos sintomas depressivos. A triagem foi realizada por dois revisores independentes na plataforma Rayyan, resultando em dez estudos incluídos. As evidências demonstram que a psilocibina produz reduções rápidas e significativas nos sintomas depressivos, além de melhorar o bem-estar, a qualidade de vida e o funcionamento social. Os eventos adversos relatados foram leves e transitórios, reforçando um perfil de segurança favorável quando utilizada em condições controladas. Contudo, apesar dos resultados promissores, a literatura ainda carece de ensaios multicêntricos com amostras ampliadas, protocolos padronizados de dosagem e acompanhamentos de longo prazo, necessários para consolidar a segurança, eficácia e aplicabilidade clínica da psilocibina no tratamento dos transtornos depressivos em adultos.
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