Resumo
INTRODUÇÃO: A bronquiectasia é uma doença respiratória crônica caracterizada pela dilatação anormal e permanente dos brônquios. Clinicamente, manifesta-se por tosse crônica, produção de escarro e infecção brônquica. O diagnóstico baseia-se na associação entre o quadro clínico e os achados de exames de imagem, e o tratamento deve ser individualizado, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida do paciente. O aumento da prevalência e da incidência da doença em diferentes regiões do mundo tem sido motivo de preocupação, em razão de seu significativo impacto socioeconômico. OBJETIVO: Analisar o cenário epidemiológico das bronquiectasias no Brasil. METODOLOGIA: Realizou-se um estudo epidemiológico, retrospectivo e descritivo, com dados de morbidade por região brasileira obtidos do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). A coleta foi secundária, realizada por meio do Departamento de Informática do SUS (DATASUS), em fevereiro de 2025, abrangendo o período de janeiro de 2019 a dezembro de 2024. Para análise, foram utilizados filtros por região geográfica. Foram consideradas variáveis demográficas e clínicas associadas às internações por bronquiectasia, as quais incluíram: sexo, faixa etária, ano de internação e ocorrência de óbito. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Observou-se redução progressiva nas internações por bronquiectasia no Brasil, possivelmente relacionada a mudanças na organização dos serviços de saúde, no diagnóstico ou na notificação dos casos. Houve discreta predominância de internações em mulheres, o que pode indicar diferença na expressão da doença entre os sexos ou maior procura feminina por atendimento. A faixa etária mais acometida foi entre 50 e 59 anos, reforçando a tendência de maior ocorrência ou agravamento da bronquiectasia com o envelhecimento. Geograficamente, a Região Nordeste apresentou o maior número de óbitos. CONCLUSÃO: O estudo evidencia o perfil atual da bronquiectasia no Brasil, com maior suscetibilidade entre idosos, mulheres e residentes da região Nordeste. Ressalta-se a importância de ampliar as pesquisas sobre a doença para aprofundar o conhecimento dos fatores predisponentes e orientar estratégias mais eficazes de intervenção em saúde pública.
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