Implantes Hormonais com Noretisterona e Gestrinona no Tratamento do Lipedema: Perspectivas Clínicas e Terapêuticas
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n11p1113-1126Palavras-chave:
lipedema; noretisterona; gestrinona; implantes hormonais; endocrinologia; terapêuticaResumo
Introdução: O lipedema é uma condição crônica e progressiva caracterizada pelo acúmulo desproporcional de tecido adiposo nos membros inferiores, geralmente acompanhada de dor, sensibilidade e edema. Afeta predominantemente mulheres e está associado a distúrbios hormonais e inflamatórios. O manejo clínico ainda é desafiador, e novas abordagens terapêuticas têm sido estudadas, incluindo o uso de implantes hormonais contendo noretisterona e gestrinona. Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM, 2023) e estudos recentes publicados no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, essas substâncias podem auxiliar na modulação hormonal e na redução da inflamação tecidual. Objetivo: Analisar as evidências atuais sobre o uso de implantes hormonais com noretisterona e gestrinona no tratamento do lipedema, considerando seus efeitos clínicos, benefícios e limitações terapêuticas. Metodologia: Foi realizada uma revisão narrativa baseada em artigos indexados nas bases PubMed, SciELO e LILACS, publicados entre 2015 e 2025. Foram incluídos ensaios clínicos, revisões e consensos da SBEM e da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Discussão/Resultados: Os implantes hormonais de noretisterona e gestrinona têm sido avaliados como coadjuvantes no manejo do lipedema, atuando na modulação dos receptores estrogênicos e progestagênicos, reduzindo a retenção hídrica e a inflamação subcutânea. Estudos clínicos demonstram melhora dos sintomas dolorosos, redução do edema e melhora estética do contorno corporal em pacientes selecionadas. Entretanto, a literatura ressalta a necessidade de cautela quanto aos possíveis efeitos adversos, como irregularidades menstruais, acne e alterações de humor. A terapia deve ser individualizada e acompanhada por equipe multidisciplinar, incluindo endocrinologista, cirurgião vascular e fisioterapeuta. A associação com medidas não farmacológicas como dieta, atividade física e drenagem linfática, potencializa os resultados clínicos e melhora a qualidade de vida. Conclusão: Os implantes de noretisterona e gestrinona representam uma opção terapêutica promissora no manejo do lipedema, especialmente em casos resistentes ao tratamento convencional. Contudo, o uso deve ser cuidadosamente indicado e monitorado, à luz das evidências científicas e diretrizes médicas.
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