Implantes Hormonais com Noretisterona e Gestrinona no Tratamento do Lipedema: Perspectivas Clínicas e Terapêuticas

Autores

  • Maria Eduarda Tagawa Toro Universidade do Oeste Paulista
  • Júlia Matos Borella São Leopoldo Mandic
  • Allan Jacques Garcia Universidade do Grande Rio Professor José de Souza Herdy
  • Cintia Helena Medeiros de Abreu Ferreira Universidade São Judas Tadeu
  • Ana Caroline Pereira Pacheco da Fonseca Faculdade de Medicina de Itajubá
  • Letícia Fernandes Rosado Faculdade de Enfermagem Nova Esperança
  • Milena Fernandes da Silveira Centro Universitário Max Planck
  • Eduarda Vargas Previate Szenczuk Centro Universitário para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí
  • Maria Eduarda Gonçalves Universidade do Oeste de Santa Catarina
  • Izaque Benedito Miranda Batista Universidade de Vassouras
  • Bruno Ricardy Miranda Angelo Faculdade Santa Marcelina
  • Hugo Campos Costa Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein
  • Rafaella Maria de Paula Souza Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n11p1113-1126

Palavras-chave:

lipedema; noretisterona; gestrinona; implantes hormonais; endocrinologia; terapêutica

Resumo

Introdução: O lipedema é uma condição crônica e progressiva caracterizada pelo acúmulo desproporcional de tecido adiposo nos membros inferiores, geralmente acompanhada de dor, sensibilidade e edema. Afeta predominantemente mulheres e está associado a distúrbios hormonais e inflamatórios. O manejo clínico ainda é desafiador, e novas abordagens terapêuticas têm sido estudadas, incluindo o uso de implantes hormonais contendo noretisterona e gestrinona. Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM, 2023) e estudos recentes publicados no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, essas substâncias podem auxiliar na modulação hormonal e na redução da inflamação tecidual. Objetivo: Analisar as evidências atuais sobre o uso de implantes hormonais com noretisterona e gestrinona no tratamento do lipedema, considerando seus efeitos clínicos, benefícios e limitações terapêuticas. Metodologia: Foi realizada uma revisão narrativa baseada em artigos indexados nas bases PubMed, SciELO e LILACS, publicados entre 2015 e 2025. Foram incluídos ensaios clínicos, revisões e consensos da SBEM e da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Discussão/Resultados: Os implantes hormonais de noretisterona e gestrinona têm sido avaliados como coadjuvantes no manejo do lipedema, atuando na modulação dos receptores estrogênicos e progestagênicos, reduzindo a retenção hídrica e a inflamação subcutânea. Estudos clínicos demonstram melhora dos sintomas dolorosos, redução do edema e melhora estética do contorno corporal em pacientes selecionadas. Entretanto, a literatura ressalta a necessidade de cautela quanto aos possíveis efeitos adversos, como irregularidades menstruais, acne e alterações de humor. A terapia deve ser individualizada e acompanhada por equipe multidisciplinar, incluindo endocrinologista, cirurgião vascular e fisioterapeuta. A associação com medidas não farmacológicas como dieta, atividade física e drenagem linfática, potencializa os resultados clínicos e melhora a qualidade de vida. Conclusão: Os implantes de noretisterona e gestrinona representam uma opção terapêutica promissora no manejo do lipedema, especialmente em casos resistentes ao tratamento convencional. Contudo, o uso deve ser cuidadosamente indicado e monitorado, à luz das evidências científicas e diretrizes médicas.

 

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Publicado

2025-11-16

Como Citar

Tagawa Toro, M. E., Matos Borella, J., Jacques Garcia, A., Medeiros de Abreu Ferreira , C. H., Pereira Pacheco da Fonseca , A. C., Fernandes Rosado, L., Fernandes da Silveira , M., Vargas Previate Szenczuk , E., Gonçalves, M. E., Miranda Batista , I. B., Miranda Angelo, B. R., Campos Costa , H., & de Paula Souza , R. M. (2025). Implantes Hormonais com Noretisterona e Gestrinona no Tratamento do Lipedema: Perspectivas Clínicas e Terapêuticas. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 7(11), 1113–1126. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n11p1113-1126