Panorama Atual dos Acidentes por Animais Peçonhentos no Ceará: Uma Análise Epidemiológica (2023-2024)
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Palavras-chave

Escorpionismo; Vigilância em saúde; SINAN; Soroterapia; Subnotificação.

Como Citar

Silva, V. B. da, Silva, S. B. da, Almeida Bezerra, J. W., Almeida-Bezerra, J. W., Varela, A. L. N., Maia Filho, A., Gondim, C. N. F. L., Oliveira, E. N. N., Antunes, D. F., Sousa, M. E. de M., Sa, L. dos S., Santos, G. S. dos, Fidelis, R. L. R., & Brito, A. B. de. (2025). Panorama Atual dos Acidentes por Animais Peçonhentos no Ceará: Uma Análise Epidemiológica (2023-2024). Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 7(12), 291–309. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n12p291-309

Resumo

Os acidentes com animais peçonhentos são um importante problema de saúde pública no Brasil, com alta incidência e potencial de causar complicações graves. Este estudo teve como objetivo descrever o perfil epidemiológico desses acidentes no estado do Ceará, entre 2023 e 2024, com base nos dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Trata-se de um estudo descritivo, retrospectivo e quantitativo, que analisou todas as notificações registradas no Ceará no período de janeiro de 2023 a dezembro de 2024. Foram avaliadas variáveis como tipo de animal envolvido, faixa etária, sexo, local da picada, tempo até o atendimento, gravidade clínica, uso de soroterapia e evolução dos casos. No total, foram registrados 11.928 casos em 2023 e 11.503 em 2024. Os escorpiões foram responsáveis por 61,8% dos casos em 2023 (n = 7.372) e 62,3% em 2024 (n = 7.162), seguidos por abelhas (17,9% e 18,2%) e serpentes (10,4% e 8,7%). A faixa etária de 20 a 39 anos concentrou a maioria dos casos (33,2% em 2023 e 33,5% em 2024). Em ambos os anos, mais de 69% das vítimas receberam atendimento nas primeiras três horas após o acidente. A maioria dos casos foi classificada como leve (84,7% em 2023 e 78% em 2024), e a soroterapia foi indicada em apenas 6,5% e 5,7% dos casos, respectivamente. Foram registrados 21 óbitos em 2023 e 11 em 2024, com letalidade inferior a 0,2%. Apesar da baixa gravidade na maioria dos casos, as notificações incompletas e o atraso no atendimento em parte dos registros revelam fragilidades na resposta ao agravo. Os achados reforçam a necessidade de qualificação profissional, vigilância ativa e estratégias de prevenção mais eficazes.

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n12p291-309
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