Resumo
A mortalidade materna e infantil permanece como um dos principais desafios de saúde pública, refletindo as desigualdades sociais e a fragilidade dos sistemas de atenção básica em muitos países. No Brasil, apesar dos avanços alcançados com a Estratégia de Saúde da Família (ESF), ainda há disparidades regionais que comprometem a redução desses indicadores. A Medicina de Família e Comunidade, ao adotar uma abordagem centrada na pessoa e no contexto familiar, desempenha papel essencial na prevenção desses óbitos, garantindo cuidado contínuo, integral e humanizado. O presente estudo teve como objetivo analisar o papel da Medicina de Família e Comunidade na prevenção da mortalidade materna e infantil, destacando suas estratégias de atuação e os principais desafios enfrentados. Trata-se de uma revisão narrativa de literatura, baseada na análise de publicações científicas e documentos oficiais que abordam a relação entre a atenção primária à saúde e a redução da mortalidade materno-infantil. Foram consultadas bases de dados nacionais e internacionais, selecionando estudos dos últimos dez anos que enfatizassem o impacto das práticas de cuidado integral, da vigilância em saúde e do trabalho multiprofissional. A análise seguiu uma abordagem descritiva e interpretativa, buscando identificar as principais contribuições do médico de família na promoção da saúde e na prevenção de agravos. Os resultados evidenciam que o fortalecimento da atenção primária, com foco na ESF, é determinante para a diminuição das taxas de mortalidade materna e infantil. A atuação do médico de família na detecção precoce de riscos, no acompanhamento do pré-natal, na promoção do aleitamento materno e na educação em saúde mostra-se eficaz para prevenir desfechos adversos. Conclui-se que a Medicina de Família e Comunidade é peça-chave na construção de um modelo de saúde sustentável, equitativo e resolutivo, sendo indispensável para o alcance das metas de desenvolvimento sustentável e para a garantia de uma vida mais saudável para mães e crianças.
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