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Penectomia parcial versus total: análise de margens cirúrgicas e sobrevida livre de recidiva no câncer de pênis invasivo
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Palavras-chave

câncer de pênis; penectomia parcial; margens cirúrgicas; recidiva local; função sexual; qualidade de vida.

Como Citar

Junior, C. R. (2025). Penectomia parcial versus total: análise de margens cirúrgicas e sobrevida livre de recidiva no câncer de pênis invasivo. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 7(11), 407–414. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n11p407-414

Resumo

O câncer de pênis é uma neoplasia rara, porém de alto impacto psicossocial, especialmente em países em desenvolvimento. Tradicionalmente, a penectomia total era considerada o tratamento padrão para garantir margens cirúrgicas amplas e controle local da doença. No entanto, evidências recentes têm demonstrado que a penectomia parcial, com margens mais estreitas, pode alcançar resultados oncológicos equivalentes, preservando a função sexual e a qualidade de vida. O presente estudo teve como objetivo revisar criticamente a literatura contemporânea sobre os desfechos oncológicos e funcionais da penectomia parcial em comparação à penectomia total no câncer de pênis invasivo. Foi conduzida uma revisão narrativa baseada em publicações indexadas nas bases PubMed, Scopus, Web of Science e SciELO entre 2018 e 2025, incluindo estudos multicêntricos, revisões sistemáticas e diretrizes internacionais (EAU 2024, NCCN 2024 e INCA 2023). As evidências demonstram que margens cirúrgicas de 1 a 2 mm são suficientes para garantir controle local, com sobrevida livre de recidiva superior a 85 % e sobrevida global de até 90 % em tumores ≤ pT2. Além disso, pacientes submetidos à penectomia parcial apresentam melhor função sexual, menor impacto psicológico e maior satisfação corporal quando comparados à penectomia total. Conclui-se que a penectomia parcial é uma alternativa oncológica segura e funcional à penectomia total em casos selecionados, devendo a escolha cirúrgica ser individualizada conforme o grau de invasão tumoral, histopatologia e possibilidade de reconstrução, equilibrando radicalidade e preservação funcional.

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n11p407-414
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