Avanços na linfadenectomia pélvica estendida no câncer de próstata localmente avançado
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n11p432-441Palavras-chave:
câncer de próstata; linfadenectomia pélvica; cirurgia robótica; prognóstico; sobrevida.Resumo
O câncer de próstata permanece como a neoplasia maligna mais prevalente entre os homens e constitui importante causa de mortalidade no mundo. A linfadenectomia pélvica estendida (ePLND) representa o método mais acurado de estadiamento linfonodal e tem sido alvo de intenso debate quanto ao seu real impacto terapêutico. O presente estudo tem como objetivo revisar criticamente a literatura recente acerca da ePLND no câncer de próstata localmente avançado, enfatizando desfechos oncológicos, complicações cirúrgicas e critérios de seleção de pacientes. Trata-se de uma revisão narrativa baseada em buscas realizadas nas bases PubMed, Scopus, Web of Science e SciELO, abrangendo publicações entre 2012 e 2025. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados, estudos observacionais, revisões sistemáticas e diretrizes internacionais relevantes. As evidências demonstram que a ePLND aprimora o estadiamento e o prognóstico, mas seu benefício terapêutico direto permanece controverso. Ensaios recentes, como os de Touijer et al. (2021) e Lestingi et al. (2021), não evidenciaram aumento significativo na sobrevida livre de recorrência quando comparada à dissecção limitada. Por outro lado, estudos observacionais apontam melhora da sobrevida em pacientes com linfonodos positivos submetidos à dissecção mais ampla. As complicações mais comuns são linfoceles, trombose venosa profunda e aumento do tempo cirúrgico, mas apresentam baixa gravidade em centros de referência. Conclui-se que a linfadenectomia pélvica estendida deve ser indicada de forma individualizada, com base em fatores de risco clínicos, nomogramas preditivos e experiência do cirurgião, permanecendo como ferramenta essencial de estadiamento e possível fator prognóstico em pacientes com câncer de próstata localmente avançado.
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