IMPACTO DA COBERTURA PRÉ-NATAL SOBRE INDICADORES NEONATAIS ADVERSOS: ANÁLISE DE PREMATURIDADE E HIPOTROFIA FETAL NO ESTADO DO PARANÁ DE 2018 A 2023
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n11p270-286Palavras-chave:
Pré-natal, Desfechos Neonatais, Prematuridade, Baixo Peso ao Nascer, Fatores SociodemográficosResumo
O pré-natal adequado é reconhecido como uma das principais intervenções para reduzir desfechos neonatais adversos. No Brasil, a cobertura e a qualidade da assistência variam entre as regiões, refletindo desigualdades sociais e estruturais que impactam diretamente a prematuridade, o baixo peso ao nascer e a morbimortalidade neonatal. Este estudo tem como objetivo analisar o impacto da cobertura pré-natal sobre indicadores neonatais no estado do Paraná, entre 2018 e 2023. Busca-se investigar a associação entre o número de consultas e a incidência de prematuridade e baixo peso ao nascer, além de avaliar a influência de fatores sociodemográficos, como escolaridade e idade materna, sobre a qualidade do acompanhamento gestacional. Trata-se de uma pesquisa descritiva, correlacional e quantitativa. O estudo utilizará dados secundários do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) referentes ao período de 2018 a 2023. Serão incluídos registros com informações completas sobre consultas pré-natais, idade gestacional e peso ao nascer, sendo excluídos os incompletos ou inconsistentes. Resultados: Foram analisados 878.410 nascimentos, estratificando-se o número de consultas pré-natais e associando-o a prematuridade, baixo peso ao nascer e fatores sociodemográficos maternos. Os resultados evidenciaram alta cobertura pré-natal no estado (85,6% com sete ou mais consultas), porém gestantes com menor número de consultas apresentaram taxas significativamente maiores de prematuridade e baixo peso ao nascer, demonstrando associação inversa. Observou-se ainda influência de escolaridade materna e faixa etária sobre a adesão ao pré-natal e a ocorrência de desfechos desfavoráveis, bem como desigualdades regionais persistentes. Conclui-se que a cobertura e a qualidade do pré-natal são determinantes essenciais para a redução de prematuridade e hipotrofia fetal, sendo necessário reforçar políticas públicas voltadas à equidade no acesso e à melhoria da assistência materno-infantil.
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