Complicações Pós-Cirúrgicas da Catarata: Abordagem Clínica, Fatores de Risco e Estratégias de Prevenção
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n11p195-209Palavras-chave:
catarata; complicações pós-operatórias; endoftalmite; edema macular; prevenção; cirurgia ocular.Resumo
Introdução: A cirurgia de catarata é um dos procedimentos oftalmológicos mais realizados no mundo, com elevadas taxas de sucesso e melhora significativa da acuidade visual. Apesar dos avanços técnicos e do uso de tecnologias modernas, complicações pós-operatórias ainda representam um desafio clínico, podendo comprometer o prognóstico visual. As principais complicações incluem endoftalmite, edema macular cistóide, opacificação da cápsula posterior e descolamento de retina. O conhecimento dos fatores de risco e a adoção de medidas preventivas são essenciais para reduzir a morbidade associada. Objetivo: Revisar as principais complicações pós-cirúrgicas da catarata, seus fatores de risco e estratégias atuais de prevenção, com base em diretrizes da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) e evidências de publicações internacionais de referência. Metodologia: Foi realizada uma revisão narrativa em bases científicas como PubMed, SciELO e LILACS, abrangendo artigos publicados entre 2019 e 2024. Foram selecionados estudos clínicos, revisões sistemáticas e diretrizes de sociedades médicas reconhecidas, priorizando evidências com relevância prática para o contexto brasileiro. Discussão/Resultados: Entre as complicações precoces, destacam-se a endoftalmite infecciosa e a inflamação intraocular intensa. A endoftalmite, embora rara (0,02–0,05% dos casos), pode causar perda visual irreversível. Seu risco aumenta em pacientes diabéticos, imunossuprimidos e na presença de ruptura da cápsula posterior. A profilaxia com antibióticos intracamerais, como a cefuroxima, e o uso adequado de antissépticos (povidona-iodo) são medidas eficazes de prevenção. O edema macular cistóide surge geralmente nas primeiras semanas pós-operatórias e está associado à ruptura da barreira hematorretiniana. O tratamento envolve anti-inflamatórios tópicos e, em casos persistentes, corticosteroides intravítreos. Já a opacificação da cápsula posterior é a complicação tardia mais comum e pode ser tratada com capsulotomia a laser Nd:YAG. O descolamento de retina, embora incomum, requer diagnóstico precoce e manejo cirúrgico imediato. A individualização do cuidado, o controle rigoroso de comorbidades e o seguimento pós-operatório adequado são pilares para minimizar complicações e otimizar o resultado visual. Conclusão: Apesar do alto índice de sucesso da cirurgia de catarata, complicações podem ocorrer e exigem abordagem rápida e preventiva. A implementação de protocolos baseados em evidências e a vigilância pós-operatória são fundamentais para garantir segurança e bons resultados visuais aos pacientes.
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