AVANÇOS NO DIAGNÓSTICO PRECOCE E NO MANEJO MULTIPROFISSIONAL DAS NEOPLASIAS TROFOBLÁSTICAS GESTACIONAIS: UM DESAFIO PARA A OBSTETRÍCA MODERNA
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n9p1267-1277Palavras-chave:
Neoplasias trofoblásticas gestacionais; Diagnóstico precoce; Manejo multiprofissional; Obstetrícia moderna; β-hCG.Resumo
As neoplasias trofoblásticas gestacionais (NTGs) representam um espectro de doenças originadas do tecido trofoblástico, variando desde a mola hidatiforme até formas malignas como o coriocarcinoma. Embora sejam raras, possuem alta morbimortalidade quando não diagnosticadas precocemente. Com o avanço das técnicas diagnósticas, como a dosagem seriada da gonadotrofina coriônica humana (β-hCG) e a utilização da ultrassonografia de alta resolução, houve uma transformação significativa no prognóstico dessas pacientes. Nesse contexto, compreender os avanços no diagnóstico precoce e no manejo multiprofissional tornou-se essencial para a obstetrícia moderna, que enfrenta o desafio de garantir um cuidado integral e eficaz à saúde materna.O objetivo deste estudo foi analisar os progressos alcançados no diagnóstico precoce e no manejo multiprofissional das NTGs, ressaltando sua relevância para a prática clínica atual. Para tanto, realizou-se uma revisão narrativa da literatura, baseada em artigos científicos disponíveis nas bases PubMed, SciELO e LILACS, publicados entre 2020 e 2025, utilizando os descritores “neoplasia trofoblástica gestacional”, “diagnóstico precoce”, “manejo multiprofissional” e “obstetrícia”. Foram incluídos estudos originais, revisões sistemáticas e diretrizes clínicas recentes. Os resultados da análise demonstraram que o diagnóstico precoce, associado ao monitoramento do β-hCG e à estratificação de risco, permite reduzir complicações e orientar condutas individualizadas. Protocolos padronizados por organizações como a FIGO e a OMS estabeleceram critérios seguros para a escolha do tratamento, que pode variar desde a quimioterapia com agente único até esquemas combinados para casos de maior gravidade. Além disso, o manejo multiprofissional mostrou-se decisivo não apenas para o sucesso terapêutico, mas também para o acompanhamento emocional e social das pacientes, com a participação integrada de obstetras, oncologistas, patologistas, psicólogos e equipes de enfermagem. Estudos recentes também destacam que a reabilitação e o suporte psicossocial contribuem para melhor adesão ao tratamento e para a qualidade de vida após o desfecho clínico.Conclui-se que os avanços no diagnóstico precoce e no manejo multiprofissional revolucionaram a prática obstétrica no campo das NTGs, elevando as taxas de cura para patamares superiores a 90% em centros especializados. Entretanto, persistem desafios, sobretudo relacionados à desigualdade no acesso a recursos diagnósticos e terapêuticos em países em desenvolvimento. Diante disso, faz-se necessário ampliar a capacitação profissional, consolidar protocolos integrados e fortalecer políticas públicas que assegurem o acesso universal e equitativo ao tratamento, garantindo assim a continuidade dos progressos obtidos na área.
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