Resumo
Introdução:
A rinosinusite crônica com pólipos nasais é uma condição inflamatória persistente da mucosa nasossinusal que compromete de forma significativa a qualidade de vida dos pacientes. As estratégias de manejo incluem tratamento clínico otimizado com corticosteroides intranasais, cursos curtos de corticosteroides sistêmicos, irrigações salinas e, mais recentemente, terapias biológicas além da intervenção cirúrgica, principalmente a cirurgia endoscópica funcional dos seios paranasais. Os benefícios relativos de cada abordagem permanecem em debate.
Objetivos:
Revisar sistematicamente as evidências que comparam a cirurgia endoscópica dos seios paranasais com o tratamento clínico otimizado em pacientes adultos com rinosinusite crônica com pólipos nasais, com foco em eficácia e segurança.
Síntese dos dados:
Foi realizada busca sistemática nas bases PubMed, Scopus, Web of Science, Cochrane Library e SciELO até maio de 2025, restrita a artigos em inglês, espanhol e português. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados, estudos de coorte prospectivos e revisões sistemáticas que compararam cirurgia com tratamento clínico. Quatro fontes principais foram incluídas: duas revisões Cochrane (corticosteroides sistêmicos e intranasais), um ensaio clínico randomizado de corticosteroide tópico após cirurgia e um ensaio multicêntrico randomizado comparando cirurgia associada ao tratamento clínico versus tratamento clínico isolado. As evidências demonstram que cursos curtos de corticosteroides sistêmicos melhoram os sintomas por 2–3 semanas, sem benefício sustentado em 3–6 meses, enquanto os corticosteroides intranasais produzem melhora moderada na obstrução nasal e rinorreia, mas com risco aumentado de epistaxe leve. A cirurgia endoscópica proporciona melhora consistente nos escores de sintomas e na carga polipóide em pacientes refratários ao tratamento clínico, com evidências recentes mostrando superioridade quando combinada às terapias biológicas.
Conclusão:
O tratamento clínico otimizado oferece benefícios importantes no curto prazo, enquanto a cirurgia garante melhorias sintomáticas e estruturais duradouras em pacientes refratários. Abordagens combinadas, incluindo o uso de biológicos, podem potencializar os resultados. São necessários ensaios clínicos randomizados de alta qualidade e com acompanhamento prolongado para orientar estratégias personalizadas de tratamento.
Referências
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