EFETIVIDADE DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE NO RASTREAMENTO PRECOCE DO CÂNCER DO COLO DO ÚTERO E MAMA
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n9p668-676Palavras-chave:
Políticas públicas de saúde, Rastreamento precoce, Câncer do colo do útero, Câncer de mama.Resumo
O câncer do colo do útero e o câncer de mama estão entre as principais causas de mortalidade feminina no Brasil e no mundo. A detecção precoce, por meio de políticas públicas de rastreamento, é uma estratégia fundamental para reduzir a mortalidade e aumentar as chances de cura. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece programas como o Papanicolau e a mamografia, visando o diagnóstico precoce dessas doenças. No entanto, a efetividade dessas políticas depende de fatores como acesso, cobertura, qualidade dos serviços e adesão da população-alvo. Avaliar a efetividade das políticas públicas de saúde voltadas ao rastreamento precoce do câncer do colo do útero e do câncer de mama no Brasil, com foco na cobertura, adesão populacional e impacto na detecção precoce. A pesquisa foi realizada em agosto de 2024 por meio do acesso online às seguintes bases de dados: LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), Bireme (Centro de Informação em Ciências da Saúde da América Latina e do Caribe), SCIELO (Scientific Electronic Library Online) e BVS (Biblioteca Virtual em Saúde). Os resultados indicam que, apesar da existência de diretrizes claras e de programas estruturados, a cobertura do exame Papanicolau e da mamografia ainda é inferior ao recomendado pela OMS. Fatores como desigualdade regional, baixa escolaridade, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e falhas na busca ativa de mulheres em idade-alvo impactam negativamente a efetividade do rastreamento. Em regiões mais desenvolvidas, como o Sudeste e Sul, observa-se maior cobertura e diagnóstico em estágios iniciais. Já no Norte e Nordeste, os índices são mais baixos, evidenciando desigualdade no acesso. A adesão também é influenciada por barreiras culturais, desinformação e falhas no acompanhamento dos resultados dos exames. As políticas públicas de rastreamento do câncer de colo do útero e de mama no Brasil são bem estruturadas em teoria, mas ainda enfrentam desafios significativos na prática. A efetividade dessas ações poderia ser ampliada com investimentos em capacitação, ampliação da cobertura, redução das desigualdades regionais e melhoria na gestão e monitoramento dos programas. A detecção precoce continua sendo uma das melhores estratégias para reduzir a mortalidade por essas neoplasias, e seu fortalecimento deve ser uma prioridade constante no sistema de saúde pública.
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