Sífilis Congênita na Bahia: Análise do Perfil Epidemiológico e dos Fatores Associados
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Palavras-chave

Sífilis congênita. Perfil epidemiológico. Fatores associados. Bahia

Como Citar

Anunciação Rios Souza, M. L., Cerqueira dos Santos, L. T., & Fernandes Vieira, G. (2025). Sífilis Congênita na Bahia: Análise do Perfil Epidemiológico e dos Fatores Associados. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 7(7), 1298–1311. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n7p1298-1311

Resumo

Introdução: A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum, com progressão lenta e multissistêmica. A principal forma de transmissão é sexual, mas também pode ocorrer de forma vertical, da mãe para o feto, causando sífilis congênita. A infecção fetal é mais comum em estágios iniciais da doença e pode ocorrer durante o parto. A sífilis congênita reflete falhas no pré-natal, sendo evitável com diagnóstico e tratamento precoces. Fatores como baixa escolaridade, múltiplos parceiros e desigualdade no acesso à saúde aumentam a vulnerabilidade. Apesar das diretrizes existentes, o Brasil enfrenta desafios na cobertura do pré-natal e na redução dos casos de sífilis gestacional e congênita. Objetivo: Descrever o perfil epidemiológico dos casos notificados de sífilis congênita na Bahia no período de 2018 a 2023, bem como os fatores associados. Métodos: Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo com dados obtidos da Diretoria de Vigilância Epidemiológica da Bahia (DIVEP/SUVISA/SESAB), acessados em 16/02/2024. Foram analisados casos de sífilis congênita notificados entre 2018 e 2022, com base na seção “Morbidade e Epidemiologia” do site oficial. As variáveis incluíram número de casos, idade, raça/cor, realização de pré-natal, diagnóstico materno, esquema de tratamento e evolução dos casos. Os dados foram organizados e analisados com o Microsoft Excel 2021®, sendo apresentados em tabelas e gráficos. Por utilizar dados secundários públicos, sem identificação pessoal, o estudo dispensou aprovação por Comitê de Ética em Pesquisa. Conclusão: A análise dos dados indica que o aumento da sífilis congênita na Bahia está relacionado, principalmente, à ineficácia do pré-natal. Embora muitas gestantes tenham realizado esse acompanhamento, a maioria evoluiu para o desfecho negativo devido ao tratamento inadequado. A má adesão da gestante e de seu parceiro ao tratamento, além de falhas na condução pelos profissionais de saúde, comprometem a prevenção da transmissão vertical. Conhecer a prevalência da sífilis congênita e seus fatores associados é essencial para capacitar e sensibilizar os profissionais, garantindo uma assistência adequada desde a pré-concepção até o puerpério, visando reduzir a incidência da doença.

 

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n7p1298-1311
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