O ESTRESSE CRÔNICO COMO INFLUÊNCIA NO SURGIMENTO DA DIABETES MELLITUS: UMA REVISÃO DE LITERATURA
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n7p737-755Palavras-chave:
Diabetes Mellitus, estresse crônico, hipercortisolismo, resistência insulínica.Resumo
Introdução: Diabetes Mellitus (DM) é um grupo de distúrbios que envolve o metabolismo dos carboidratos. É classificada em tipo 1 quando autoanticorpos destroem as células beta pancreáticas ou geram defeitos na utilização da insulina, e em tipo 2 quando há resistência orgânica à insulina devido aos hábitos de vida dos indivíduos. Dados indicam que 11,1% da população mundial possuem diabetes. No Brasil, cerca de 20 milhões de pessoas vivem com essa doença. O estresse crônico é um dos principais originários da DM. Exposição prolongada a agentes estressores contribui para o hipercortisolismo, que favorece a resistência insulínica. Objetivo: Este artigo revisa a literatura sobre a influência do estresse crônico na gênese diabética, especialmente a tipo 2, e sua fisiologia. Metodologia: A pesquisa se deu a partir de artigos e publicações em bases de dados, livros e revistas acadêmicas sobre o tema. Considerou-se publicações de todas as áreas da saúde. Resultados: O estresse crônico se dá quando o organismo é exposto por longos períodos a agentes perturbadores da homeostase. Carga alostática, hipercortisolismo, inflamação e resistência insulínica são consequências dessa exposição e se relacionam entre si, levando a desregulação metabólica. A ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e a secreção hormonal na corrente sanguínea pelo sistema nervoso simpático leva à hiperglicemia, causando diabetes. Diversos estudos corroboram a relação estresse crônico-Diabetes Mellitus, evidenciando que situações estressoras afetam o bem-estar físico, emocional e social dos indivíduos. Considerações finais: Compreender a fisiopatologia do hipercortisolismo, sua influência e complexidade no metabolismo é fundamental para diagnóstico e tratamento eficaz da Diabetes Mellitus. Somado a isso, adotar uma postura clínica centrada no paciente contribui para o avanço da endocrinologia e medicina brasileira.
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