Diagnóstico do Câncer de Colo do Útero: metodologias e atuação do Biomédico no rastreamento
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n7p531-551Palavras-chave:
câncer de colo do útero, HPV, Papanicolaou, diagnóstico molecular, atuação do biomédico.Resumo
O câncer do colo do útero representa uma das neoplasias mais prevalentes entre as mulheres, tendo como principal causa a infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV), especialmente pelos tipos de alto risco oncogênico. Essa infecção pode levar ao desenvolvimento de lesões precursoras, que evoluem lentamente para o câncer invasivo. O objetivo do presente artigo foi realizar uma revisão bibliográfica narrativa sobre o câncer do colo do útero, abordando os principais métodos de diagnóstico e a atuação do biomédico no rastreamento da doença. A pesquisa foi realizada em artigos científicos disponíveis nas bases eletrônicas PubMed, Scielo e Biblioteca Virtual em Saúde, publicados entre os anos de 2012 e 2025. Como critérios de inclusão, foram selecionados artigos originais nos idiomas português, inglês e espanhol. Foram excluídos trabalhos de conclusão de curso e livros. Ao todo, foram selecionados 33 artigos, que discutem principalmente a relação entre o HPV e o desenvolvimento do câncer de colo do útero, os métodos diagnósticos e o papel do biomédico na prática laboratorial. O diagnóstico citológico, realizado por meio do exame de Papanicolaou, permite identificar alterações celulares associadas a lesões de baixo e alto grau, além do carcinoma invasor. Métodos moleculares, como a captura híbrida e a PCR em tempo real, oferecem maior sensibilidade e especificidade, permitindo a detecção, qualificação e quantificação do HPV. Nesse contexto, o biomédico desempenha um papel essencial na detecção do HPV e na análise das alterações celulares com potencial evolutivo para o câncer, sendo responsável pela execução e interpretação de exames laboratoriais, bem como pela emissão de laudos diagnósticos. O diagnóstico precoce possibilita a identificação da doença em estágios iniciais, favorecendo um tratamento específico e oportuno. Portanto, o reconhecimento da importância do biomédico nas equipes multiprofissionais contribui significativamente para a redução da incidência e da mortalidade por câncer do colo do útero, além de promover melhores resultados em saúde pública e maior qualidade de vida para as mulheres.
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