ANEMIA FALCIFORME: REVISÃO DAS COMPLICAÇÕES CLÍNICAS E AVANÇOS TERAPÊUTICOS COM ÊNFASE NO TRANSPLANTE DE CÉLULAS-TRONCO HEMATOPOÉTICAS
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n7p373-396Palavras-chave:
Anemia Falciforme;, Transplante de Células-Tronco Hematopoéticas;, Complicações Clínicas;Resumo
Introdução: A anemia falcirome (AF) constitui uma hemoglobinopatia hereditária causada por uma mutação na cadeia beta da hemoglobina, que leva à produção da hemoglobina. Essa alteração compromete a estrutura dos eritrócitos, promovendo sua falcização, aumento da viscosidade sanguínea, isquemia tecidual e manifestações clínicas graves, como crises vaso-oclusivas (CVOs). Nos últimos anos, além das abordagens tradicionais, terapias inovadoras como o crizanlizumabe, voxelotor e o transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH) têm se destacado por sua eficácia no controle da doença e possibilidade de cura. Objetivo: Analisar, por meio de revisão da literatura, os benefícios terapêuticos do transplante de medula óssea e de tratamentos farmacológicos emergentes no manejo da anemia falciforme, considerando aspectos de eficácia clínica, segurança e aplicabilidade. Metodologia: Foi conduzida uma revisão narrativa da literatura em bases científicas reconhecidas, com seleção de artigos em português e inglês que abordassem a anemia falciforme, transplante de medula óssea e terapias medicamentosas recentes, priorizando estudos com dados clínicos consistentes. Considerações finais: O transplante de células-tronco hematopoéticas, especialmente na modalidade alogênica com doadores haploidênticos e uso de protocolos imunossupressores adaptados, constitui atualmente a principal alternativa curativa para pacientes com anemia falciforme. Adicionalmente, terapias farmacológicas como o crizanlizumabe e o voxelotor demonstraram resultados promissores na redução das crises vaso-oclusivas e na melhora dos parâmetros hematológicos. Tais avanços representam um marco no tratamento da doença, embora ainda seja necessário ampliar a acessibilidade e a realização de estudos multicêntricos de longo prazo. A combinação entre diagnóstico precoce, acompanhamento multidisciplinar e terapias inovadoras mostra-se essencial para a melhoria da qualidade de vida e do prognóstico dos indivíduos acometidos por essa condição hematológica.
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