Fasceíte necrotizante após apendicite aguda complicada em paciente pediátrico: Relato de caso

Autores

  • José Mauro da Silva Rodrigues
  • Luísa Motta Justo
  • Vinicius Anholetti Teixeira
  • Luiz Fernando de Carvalho Scaglione
  • Manoela Rios PUC-Sorocaba
  • Larissa Rossetto Botejara

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n7p455-462

Palavras-chave:

Apendicite aguda, Abscesso escrotal, Fasceíte necrotizante, Processo vaginalis, Pediatria.

Resumo

A apendicite aguda, principal causa de intervenção cirúrgica abdominal de emergência em pediatria, pode evoluir para complicações graves como perfuração e formação de abscessos. Em pacientes masculinos com persistência do processo vaginalis, a comunicação entre a cavidade peritoneal e a bolsa escrotal permite a migração de conteúdo infectado, resultando em abscesso escrotal e, raramente, fasceíte necrotizante, condição associada à alta morbimortalidade. Este relato descreve o caso de um adolescente de 14 anos com apendicite perfurada e disseminação para o escroto, evoluindo com fasceíte necrotizante. O paciente apresentava dor abdominal há 10 dias e dor testicular há 48 horas, além de antecedentes de hérnia inguinal. Ao exame, notava-se dor em fossa ilíaca direita, escroto hiperemiado e testículo endurecido. Exames laboratoriais mostraram leucocitose e PCR elevado, e a tomografia revelou apendicite perfurada com pneumoperitônio. Foi realizada apendicectomia de urgência com achado de apêndice necrótico e peritonite. No terceiro pós-operatório, desenvolveu fasceíte escrotal, com drenagem purulenta e crepitação, sendo submetido a desbridamento cirúrgico e antibioticoterapia. Evoluiu bem, com alta após 10 dias. Este relato enfatiza a importância de considerar complicações atípicas, como abscesso escrotal e fasceíte necrotizante, em pacientes pediátricos com apendicite aguda e fatores de risco anatômicos (processo vaginalis pérvio). O diagnóstico precoce, baseado em avaliação clínico-laboratorial e exames de imagem, associado à apendicectomia, drenagem cirúrgica e antibioticoterapia adequada, é crucial para reduzir morbidade. Profissionais devem manter alta suspeição em quadros de dor testicular associada a sinais abdominais, visando otimizar desfechos clínicos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Silva VV, Macedo MMR, Melo IT de L, Pompei VA, Kneip LB de O, Fernandes LM, et al. Apendicite aguda: aspectos fisiopatológicos e manejo terapêutico. Brazilian Journal of Health Review [Internet]. 2023 May 31;6(3):11191–203. Available from: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/60276/43565

Apendicite aguda – Tratado de Clínica Pediátrica [Internet]. Tratadoclinicapediatrica.pt. 2020 [cited 2025 Feb 20]. Available from: https://tratadoclinicapediatrica.pt/iii-volume/parte-xxx-cirurgia/apendicite-aguda/?utm_source=chatgpt.com

Vital Jr PF, Martins JL. Estado atual do diagnóstico e tratamento da apendicite aguda na criança: avaliação de 300 casos. Rev Col Bras Cir. 2005 Dec;32(6):310–5.

Ortiz-Ley JD, Rodríguez-Zepeda ADR, Paque-Bautista C, González AP, Cano-Rodríguez MT, Cortés-Salim P, et al. Índices inflamatorios predictores de apendicitis aguda complicada en niños. Rev Med Inst Mex Seguro Soc. 2023 Sep 18;61(Suppl 2):S161-S170. Spanish. PMID: 38011620; PMCID: PMC10769564.

De Jesus Siquara Neto E, Rodrigues BM, Oliveira FR, Santos RS, Almeida AP. Diagnóstico e tratamento da apendicite aguda: uma revisão de literatura. Periódicos Brasil. Pesquisa Científica. 2024;3(2):865–74. doi:10.36557/pbpc.v3i2.132. Available from: https://periodicosbrasil.emnuvens.com.br/revista/article/view/132

Sartelli M, Baiocchi GL, Di Saverio S, Viale P, Khanna A, De Simone B, et al. Prospective Observational Study on acute Appendicitis Worldwide (POSAW). World J Emerg Surg. 2018;13:19. doi:10.1186/s13017-018-0179-0

Armağan HH, Duman L, Cesur Ö, Karaibrahimoğlu A, Bilaloğlu E, Hatip AY, et al. Comparative analysis of epidemiological and clinical characteristics of appendicitis among children and adults. Ulus Travma Acil Cerrahi Derg. 2021;27(5):526–33. doi:10.14744/tjtes.2020.47880

St. Peter SD, Sharp SW, Holcomb GW, Ostlie DJ. An evidence-based definition for perforated appendicitis derived from a prospective randomized trial. J Pediatr Surg. 2008;43(12):2242–5. doi:10.1016/j.jpedsurg.2008.08

Keyes J, Casas-Melley AT, Liu C, Epelman MS, Ellsworth PI. Scrotal abscess after a perforated appendicitis. J Surg Case Rep. 2020;2020(4):1–3. doi:10.1093/jscr/rjaa058

Langman J, Sadler TW. Langman’s medical embryology. Baltimore: Williams & Wilkins; 1995.

Miolo TL, Miolo BL, Bianchini MS. Apendicite aguda gangrenosa perfurada complicada com abscesso ísquio-retal e drenagem espontânea pelo reto. ABCD Arq Bras Cir Dig. 2011;24(4):334–5. doi:10.1590/S0102-67202011000400016

O’Neill JA. Principles of Pediatric Surgery. 2004.

Saleem MM. Scrotal abscess as a complication of perforated appendicitis: a case report and review of the literature. Cases J. 2008;1(1):165. doi:10.1186/1757-1626-1-165

Downloads

Publicado

2025-07-08

Como Citar

Rodrigues , J. M. da S., Justo , L. M., Teixeira , V. A., Scaglione, L. F. de C., Rios, M., & Botejara , L. R. (2025). Fasceíte necrotizante após apendicite aguda complicada em paciente pediátrico: Relato de caso. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 7(7), 455–462. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n7p455-462