Cardiotoxicidade associada ao uso de medicamentos oncológicos: uma abordagem multidisciplinar

Autores

  • Pedro Henrique Fabris Faculdade Brasileira de Cachoeiro de Itapemirim – Multivix
  • Silvio Oscar Noguera Servin Faculdade Sao Leopoldo Mandic Araras (SLM Araras)
  • Isabela Luana Reis Nunes Universidade Federal de São João del-Rei Campus Centro-Oeste (UFSJ-CCCO)
  • Éllen Cristhyne de Souza Jacobsen Centro Universitário do Espírito Santo (UNESC)
  • Frederico Mendes Silva Pereira Universidade Federal de São João del-Rei Campus Centro-Oeste (UFSJ-CCO)

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n6p422-435

Palavras-chave:

Cardiotoxicidade; Quimioterapia; Abordagem multidisciplinar.

Resumo

Nas últimas décadas, o tratamento oncológico tem evoluído significativamente, com o desenvolvimento de agentes quimioterápicos, terapias-alvo e imunoterapias que aumentaram as taxas de sobrevida e melhoraram o prognóstico de diversos tipos de câncer. Contudo, essas terapias estão frequentemente associadas à ocorrência de efeitos adversos graves, entre os quais a cardiotoxicidade se destaca como um dos mais relevantes.

A cardiotoxicidade induzida por medicamentos oncológicos pode se manifestar de diversas formas, incluindo disfunção ventricular esquerda, insuficiência cardíaca, arritmias, hipertensão e eventos isquêmicos. Entre os fármacos com maior potencial cardiotóxico estão as antraciclinas, como a doxorrubicina, os inibidores da tirosina quinase, como o trastuzumabe, e agentes imunoterápicos mais recentes. Esses efeitos adversos podem ocorrer de forma aguda, subaguda ou tardia, o que exige vigilância contínua ao longo de todo o tratamento.

Estudos clínicos e revisões sistemáticas têm demonstrado que a presença de cardiotoxicidade compromete a continuidade da terapêutica oncológica e está associada a piores desfechos em termos de sobrevida e qualidade de vida. Nesse contexto, a avaliação cardiológica prévia, o monitoramento contínuo da função cardíaca e a intervenção precoce são estratégias essenciais para minimizar os riscos.

Um dos avanços mais importantes no manejo da cardiotoxicidade é a consolidação da cardio-oncologia como uma área de atuação multidisciplinar. A colaboração entre oncologistas, cardiologistas, enfermeiros especializados e farmacêuticos clínicos tem sido fundamental para garantir o equilíbrio entre eficácia terapêutica e segurança cardiovascular. Essa abordagem integrada permite a personalização do tratamento, o ajuste de doses, a introdução precoce de cardioprotetores e a escolha de esquemas terapêuticos alternativos quando necessário.

Além disso, o uso de ferramentas avançadas de imagem cardíaca, como a ecocardiografia com strain e a ressonância magnética cardíaca, tem se mostrado eficaz na detecção precoce de alterações subclínicas da função miocárdica. Biomarcadores como troponinas e BNP também têm sido empregados como auxiliares no diagnóstico precoce de toxicidade cardíaca.

Outro aspecto relevante é a necessidade de seguimento prolongado dos pacientes após o término do tratamento oncológico, considerando que os efeitos tardios da cardiotoxicidade podem se manifestar anos depois da exposição ao agente agressor. Programas de acompanhamento a longo prazo são fundamentais, especialmente em sobreviventes de câncer infantil ou em pacientes com múltiplos fatores de risco cardiovascular.

Em resumo, a cardiotoxicidade associada ao uso de medicamentos oncológicos representa um desafio clínico crescente que exige uma abordagem proativa e multidisciplinar. A incorporação de tecnologias diagnósticas avançadas, o desenvolvimento de estratégias de prevenção e o trabalho em equipe especializado são pilares fundamentais para garantir a eficácia do tratamento oncológico com a menor toxicidade possível, promovendo melhor qualidade de vida e maior sobrevida para os pacientes

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Referências

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Publicado

2025-06-06

Como Citar

Fabris, P. H., Noguera Servin, S. O., Reis Nunes, I. L., de Souza Jacobsen, Éllen C., & Mendes Silva Pereira, F. (2025). Cardiotoxicidade associada ao uso de medicamentos oncológicos: uma abordagem multidisciplinar. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 7(6), 422–435. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n6p422-435