AVALIAÇÃO DO USO DE ESTABILIZADORES DE HUMOR EM PACIENTES SEM DIAGNÓSTICO PSIQUIÁTRICO FORMAL NA ATENÇÃO PRIMÁRIA

Autores

  • Sadi Antonio Pezzi Junior Universidade Estadual do Ceará - UECE https://orcid.org/0000-0001-6606-5112
  • Elisabete Soares De Santana Faculdade Santíssima Trindade - FAST
  • Nelson Pinto Gomes Université Catholique de Louvain UCL https://orcid.org/0009-0000-2549-7402
  • Fabio Ferreira Marques Universidade Evangélica de Goiás - UniEVANGÉLICA
  • Matheus Gomes de Oliveira Moura Centro Universitário Maurício de Nassau
  • Vicente Leonides Prado Junco Instituto Superior de Ciências Médicas da Havana – Faculdade Miguel Enríquez, Cuba
  • Daniel Carneiro Maffra Universidade Redentor
  • Ricardo Ramos Guglielmi Universidade de Buenos Aires
  • Júlia Hofling Pontifícia Universidade Católica de Campinas
  • João Pedro Bassan Garcia Centro Universitário São Camilo
  • Ana Caroline Barreto Cristobal Universidade Potiguar
  • Anésia Bezerra da Fonsêca Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Pernambuco

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n4p1333-1345

Palavras-chave:

Atenção primária; Estabilizadores de humor; Transtornos.

Resumo

Introdução: A utilização de estabilizadores de humor tem sido amplamente consolidada na prática médica psiquiátrica para o tratamento e cuidado de transtornos do espectro bipolar e outras condições afetivas, no entanto, observa-se um fenômeno crescente na atenção primária à saúde: a prescrição desses fármacos para pacientes sem diagnóstico psiquiátrico formal. Objetivo: Analisar as evidências sobre o uso de estabilizadores de humor em pacientes sem diagnóstico psiquiátrico formal na atenção primária, focando nos critérios de prescrição, desfechos clínicos e riscos associados. Metodologia: Este estudo foi uma revisão de literatura realizada de novembro de 2024 a abril de 2025, com busca em PubMed e Medline. A pesquisa seguiu a estratégia PICO e as etapas do PRISMA para seleção e análise de estudos, com critérios de inclusão como artigos publicados nos últimos 5 anos que tratam da prescrição de estabilizadores de humor na atenção primária. Resultados e Discussão: Foram selecionados 8 estudos que indicam que a prescrição de estabilizadores de humor na atenção primária, sem diagnóstico psiquiátrico formal, é comum, mas controversa. Embora aliviem sintomas emocionais inespecíficos, apresentam riscos como efeitos adversos e uso indevido. A falta de diretrizes claras e a formação inadequada dos profissionais aumentam esses riscos, enquanto alguns estudos sugerem benefícios em contextos específicos. Conclusão: O uso de estabilizadores de humor fora de indicações psiquiátricas formais é crescente, mas carece de respaldo científico. A prática pode mascarar transtornos psiquiátricos e envolve riscos significativos. Recomenda-se a criação de protocolos específicos e mais pesquisas sobre o impacto a longo prazo dessa prática na atenção primária.

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Publicado

2025-04-26

Como Citar

Antonio Pezzi Junior, S., Soares De Santana, E., Pinto Gomes, N., Ferreira Marques, F., Gomes de Oliveira Moura, M., Leonides Prado Junco, V., Carneiro Maffra, D., Ramos Guglielmi, R., Hofling, J., Pedro Bassan Garcia, J., Caroline Barreto Cristobal, A., & Bezerra da Fonsêca, A. (2025). AVALIAÇÃO DO USO DE ESTABILIZADORES DE HUMOR EM PACIENTES SEM DIAGNÓSTICO PSIQUIÁTRICO FORMAL NA ATENÇÃO PRIMÁRIA. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 7(4), 1333–1345. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n4p1333-1345