Cardiomiopatia Cirrótica – Revisão Integrativa
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2024v6n8p4734-4741Palavras-chave:
Cardiomiopatias; Insuficiência cardíaca; Insuficiência Cardíaca Congestiva; Ecocardiograma., Cirrose hepáticaResumo
A cardiomiopatia cirrótica (CMC) é uma condição cardíaca associada à cirrose hepática, caracterizada por disfunção cardíaca subclínica, tanto diastólica quanto sistólica. Embora os pacientes apresentem função cardíaca normal em repouso, a CMC se manifesta em situações de estresse cardiovascular, como infecções, cirurgia ou transplante hepático. O principal mecanismo envolvido é a circulação hiperdinâmica, com aumento do débito cardíaco e vasodilatação sistêmica, que, ao longo do tempo, sobrecarrega o coração e reduz sua capacidade de responder adequadamente a demandas aumentadas.
A epidemiologia da CMC indica que ela afeta mais de 50% dos pacientes com cirrose avançada, principalmente aqueles com hipertensão portal e ascite. Fatores como idade avançada e comorbidades como diabetes e hipertensão também influenciam sua prevalência. O diagnóstico é desafiador, frequentemente realizado por ecocardiografia e biomarcadores como o BNP e NT-proBNP. Métodos avançados, como o Doppler tecidual e o speckle tracking, podem identificar disfunções cardíacas subclínicas.
O tratamento da CMC envolve o manejo cauteloso da função cardíaca e da cirrose. Beta-bloqueadores e diuréticos são comumente utilizados, mas devem ser administrados com cuidado devido ao risco de agravar a disfunção cardíaca. O transplante hepático pode melhorar a função cardíaca em pacientes com CMC, mas a mortalidade pós-transplante permanece alta nesses casos.
Avanços na pesquisa incluem o desenvolvimento de terapias celulares e genéticas focadas na restauração da função cardíaca, além de novos biomarcadores para monitorar a progressão da doença. A CMC é uma condição subdiagnosticada, e seu reconhecimento precoce é fundamental para melhorar os desfechos clínicos, especialmente em pacientes candidatos ao transplante hepático.
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